Argentina pode flexibilizar embargo à carne, diz Rodrigues

O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, disse que a Argentina poderá flexibilizar o embargo imposto à carne e subprodutos do Brasil, depois que foram confirmados os focos de febre aftosa em Mato Grosso do Sul. O ministro esteve ontem em Puerto Iguazú, onde se encontrou com a nova ministra da Economia da Argentina, Felisa Miceli. Segundo Rodrigues, o governo argentino disse que pode flexibilizar o embargo "rapidíssimo". De acordo com o ministro, poderiam se tornar maleáveis as compras de carne de Santa Catarina, e do Rio Grande do Sul. No dia 21 de novembro, a Argentina informou ao governo brasileiro a decisão de ampliar a restrição comercial de carne bovina para todo Mato Grosso do Sul e também para Paraná, São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Anteriormente, ao ser constatado o foco de aftosa em Mato Grosso do Sul, a Argentina tinha suspendido as compras de animais, carnes e produtos oriundos de animais suscetíveis à doença provenientes dos cinco municípios interditados em Mato Grosso do Sul: Eldorado, Iguatemi, Itaquiraí, Japorã e Mundo Novo.Rodrigues comentou, ainda, a denúncia de que o Friboi, o maior frigorífico de exportação de carne bovina do País, "esquenta" o produto, ou seja, compra carne não autorizada para exportação e embala a mercadoria em sua planta de Araputanga, em Mato Grosso, que tem autorização para venda para União Européia e Rússia, mercados muito exigentes em termos sanitários."Precisamos preservar a imagem do produto brasileiro perante os comprados internacionais", salientou o ministro, ressaltando que foi aberta uma sindicância na Superintendência de Agricultura do Estado, para investigar a denúncia. Rodrigues também comentou sobre o resultado do PIB e reafirmou que a queda era esperada. Só no setor grãos, disse ele, "os produtores perderam US$ 17 bilhões em renda". "A crise é muito grande", completou. Ao prejuízo do setor de grãos, o ministro acrescentou a situação da cafeicultura. "Este é um ano de menor produção e, com o câmbio desfavorável, a renda do setor é menor", explicou. Outro fator negativo é a febre aftosa em Mato Grosso do Sul. As exportações de carne devem cair neste ano entre US$ 250 milhões e US$ 260 milhões. "O PIB agropecuário deve cair em relação à 2004", disse ele, sem citar valores. De acordo com o ministro, as exportações agrícolas continuam em ritmo acelerado, apesar do câmbio e do subsídios concedidos pelos países ricos aos seus produtores. Nos últimos 12 meses, as exportações renderam US$ 40 bilhões e o ministro prevê superávit comercial do agronegócio entre US$ 34 bilhões a US$ 35 bilhões em 2005.Em relação à área plantada com grãos, Rodrigues estima queda de 5% no cultivo em 2005/06. "Haverá queda no padrão tecnológico, como resultado da perda de renda dos produtores", comentou. A produção será de aproximadamente 120 milhões de toneladas, abaixo do potencial do País, mas acima da colheita do período anterior, quando a produção foi de 112 milhões de t.Rodrigues participa hoje de manhã da Conferência Hemisférica de Vigilância e Prevenção da Influenza Aviária, no auditório do Ministério de Relações Exteriores, em Brasília.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.