Argentina pode incorporar real a uma cesta de moedas

O presidente argentino, Eduardo Duhalde, admitiu a incorporação do real a uma cesta de moedas que deverá reger o valor do peso. Em entrevista à revista Notícias, que começou a circular hoje em Buenos Aires, Duhalde reforçou mais uma vez sua disposição de manter relações estreitas com o Brasil e indicou que, no futuro, é possível criar uma moeda comum no Mercosul, o peso-real.(O ex-ministro da economia, Domingo) "Cavallo não só tinha relações espinhosas com o Brasil, mas também com os próprios argentinos. Eu defendo as relações com o Brasil", afirmou o presidente. "Vamos incorporar o real à cesta de moedas que dará valor ao peso. Algum dia, teremos um peso-real" completou.Duhalde não entrou em detalhes, ao longo da entrevista, sobre essas suas idéias, expostas em um momento em que o Fundo Monetário Internacional (FMI) e analistas econômicos enfatizam a fragilidade do sistema de câmbio duplo adotado por sua equipe. O regime cambial argentino, por enquanto, não prevê a variação do peso de acordo com uma cesta de moedas - modelo que é aplicado, por exemplo, pelo Chile.No ano passado, Cavallo chegou a adotar uma cesta composta pelo dólar e pelo euro, para reger as operações de comércio exterior quando as duas moedas estrangeiras alcançassem o mesmo valor. Na ocasião, a moeda brasileira foi descartada. A inclusão do real a uma possível cesta de moedas teria como justificativa o fato de que o Brasil absorve cerca de 30% das exportações argentinas, algo como US$ 6,207 bilhões em 2001. O presidente argentino tampouco foi claro sobre a adoção futura de um peso-real. Em princípio, a idéia está vinculada ao processo de convergência macroeconômica do Mercosul e aos planos de longo prazo de criação de uma moeda comum no Mercosul. Na última sexta-feira, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Lafer, afirmou que o País aceitará a proposta argentina de criar uma instituição permanente do bloco para conduzir a convergência.Leia o especial

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