Argentina pode viver hiperinflação com recessão

Depois de uma década com índices de inflação baixos e três anos com deflação, os argentinos estariam perto de assistir de novo à disparada da inflação.Isso é o que afirmam diversos economistas argentinos, que sustentam que a remarcação de preços (uma média de 20%) ocorrida nos últimos dias não é um fenômeno passageiro e que ela veio para ficar, com um patamar superior a dois dígitos.A culpa desse processo, afirmam, é a desvalorização do peso, que seria oficializada ainda neste fim de semana.Mais uma vez, paira sobre os argentinos a nuvem negra da hiperinflação, que em 1989, chegou a 4.900% anuais.O economista-chefe da consultora Exante, Aldo Abram, declarou ao Estado que a Argentina já estaria no início de um processo hiperinflacionário: ?Nas últimas três décadas, houve uma única recessão que foi tão longa como esta última, que começou em 1998. Foi no governo do ex?presidente Raúl Alfonsín (1983-89) e só terminou no início do governo do ex-presidente Carlos Menem (1989-99). E durante essa recessão houve três hiperinflações?.Os momentos de inflação durante períodos de recessão denominam-se ?estagflação?. Abram derruba o mito de que os argentinos não possuem dinheiro suficiente nos bolsos para causar uma crise inflacionária.?É bobagem afirmar que as pessoas não têm dinheiro. Logo antes da hiperinflação de 1989, havia austrais (moeda argentina da época) circulando em um volume equivalente a US$ 3 bilhões. Hoje temos US$ 9 bilhões circulando em pesos. Temos três vezes mais potencial para uma hiper do que naquela época.?Segundo Abram, em pouco tempo o câmbio de US$ 1 poderia ser de 11 pesos: ?A hiper não depende de nível de atividade econômica, ela depende do repúdio da moeda. E esta moeda, o peso, possui uma demanda zero?.O economista afirma que os argentinos têm guardados em casa ou em caixas de segurança US$ 27 bilhões, ?que não gastarão de forma alguma, a não ser em caso de necessidade?.A Abram considera que o câmbio paralelo irá florescer e ?irá pressionando para que este esquema de câmbio de tipo fixo acabe explodindo?.O cenário que Abram prevê para este ano é de uma catástrofe social e econômica. ?Infelizmente, considero que o PIB cairá 12%, e o desemprego passará de 20% para 30%. Diversos setores de nossa economia serão destruídos.?Oscar Libermann, presidente da Fundação Mercado, disse ao Estado que a Argentina não poderá substituir imediatamente centenas de importações e terá que continuar comprando diversos produtos do exterior, que continuarão em dólares.?Isso aumentará nossos custos, atingindo os salários de nossos trabalhadores, aumentando mais ainda a recessão?. Segundo Libermann, existem dois caminhos possiveis para a economia argentina nos próximos meses: ?Um, que a recessão pare a inflação através de desabastecimento, e assim, mais recessão ainda. Dois, o início da indexação?.e aí, o que veríamos seriam as pessoas correndo para as moedas estrangeiras. Como vemos, nenhum dos dois caminhos é saudável. A Argentina teria que ter deixado a conversibilidade econômica anos atrás. Agora me parece tarde?.Leia o especial

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