Argentina poderá abandonar câmbio flutuante, diz analista

Em nota distribuída hoje a clientes, o estrategista-chefe de renda fixa para mercados emergentes da Merrill Lynch, Tulio Vera, disse que é cada vez maior a probabilidade de a Argentina abandonar o regime de câmbio flutuante "mais cedo do que tarde", implementando uma nova lei de conversibilidade ou qualquer outra forma de âncora para a moeda. "Essa medida teria de ser tomada com um taxa de câmbio a um nível mais elevado o que significa que a inflação poderia eliminar o excesso do estoque de pesos que pressiona o mercado", afirmou Vera. "No entanto, para limitar o impacto sobre os salários em termos reais, esse excesso de pesos também terá que ser lidado através de um novo Plano Bonex (por exemplo, uma securitização dos depósitos). Ao mesmo tempo, o fluxo de pesos no mercado terá de ser resolvido via política fiscal e monetária", explicou o estrategista. Segundo ele, a desvalorização do peso, cuja cotação abriu hoje a 3,10 por dólar, parece não ter um piso, ou seja, não deve parar. "A necessidade de se criar um plano para efetivamente estabilizar a moeda é urgente devido ao perigo de contágio da depreciação do peso para o cenário político", acrescentou Vera. Para ele, o feriado da Páscoa poderá trazer novos anúncios pelo governo argentino, uma vez que os bancos estarão fechados por cinco dias. "Acreditamos que poderá haver uma renovada instabilidade econômica e política. Na medida que as esperanças de um acordo antecipado com o Fundo Monetário Internacional (FMI) vão se dissipando, e o feriadão se aproxima, as pressões sobre a moeda e sobre os bancos vão se intensificar", disse Vera. Leia o especial

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