Argentina poderá reviver tempos de apagões

Os argentinos correm o risco de reviver os tempos de blackouts, chamados de apagon, em espanhol, quando o país passava horas a fio na escuridão e com os aparelhos elétricos danificados, até o início da década de 90, quando os serviços ainda não eram privatizados. A Companhia Administradora do Mercado Elétrico "Mayorista" (Atacadista) Cammesa- entrará em default hoje com as geradoras de eletricidade, por falta de financiamento provocado pela não autorização do governo para reajustar as tarifas, o que poderá gerar cortes de energia ao consumidor.O setor espera que o governo disponha de um financiamento de emergência da ordem de 150 milhões de pesos (2,95 = US$ 1) para evitar os apagões que já deram seus primeiros sinais, há uma semana, ao deixar quase 400 mil consumidores de Buenos Aires sem luz durante toda uma manhã. Em um clima tenso entre as operadoras elétricas e o governo, o ministro de Planejamento, Julio De Vido, responsável pela revisão dos contratos das empresas privatizadas, reiterou que não aceitará pressões e considerou que "na Argentina, não há falta de investimento em matéria de geração, e se houver um apagão, será porque alguém desligou a chave". As operadoras de eletricidade advertiram que Cammesa só poderá cobrir 69% do pagamentos aos geradores. Porém, o governo decidiu manter o congelamento do preço estacional (de verão para o período de inverno) até novembro, e não liberou crédito para cobrir a defasagem entre o custo de geração e o preço que a Cammesa paga. Julio De Vido explicou que o governo está estudando a concessão de aumentos das tarifas de eletricidade e gás de acordo com a revisão e renegociação dos contratos, os quais seria de 10%. A queda de braço entre o presidente Néstor Kirchner e as empresas privatizadas poderá terminar em apagões generalizados no país e ainda converter-se em uma pedra no caminho das negociações com o Fundo Monetário Internacional (FMI), cujo aumento das tarifas públicas é uma das exigências do organismo para negociar o novo acordo com o governo.

Agencia Estado,

11 de agosto de 2003 | 12h41

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