Norberto Duarte/AFP
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Covid-19

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Argentina posterga pagamento de dívida para 2021

Texto do decreto cita a declaração de emergência nacional, em meio ao avanço da covid-19, para justificar a medida

Luciana Dyniewicz e André Marinho, O Estado de S.Paulo

06 de abril de 2020 | 12h15
Atualizado 07 de abril de 2020 | 19h30

Com baixo volume de reservas internacionais e em meio a um aumento de gastos para lidar com a crise da covid-19, o governo argentino de Alberto Fernández adiou para 2021 o pagamento de parte da dívida de longo prazo do país que vencia este ano, o que foi classificado por economistas como um calote.

O texto do decreto cita a declaração de emergência nacional, em meio ao avanço do coronavírus, para justificar a medida. De acordo com o documento, embora esteja comprometido a acabar com o ciclo de endividamento, "que destrói oportunidade e gera profundos desequilíbrios sociais", o governo precisa de mais tempo para recompor o programa financeiro do país. 

A medida não surpreendeu os investidores, dado o cenário econômico local e internacional. “É uma má notícia, mas não um desastre. Poucos achavam que haveria condições de realizar o pagamento”, disse um economista do mercado financeiro de Buenos Aires.

Mesmo que os investidores não tenham se assustado, a agência de classificação de risco Fitch rebaixou a nota do país de CC (grande probabilidade de inadimplência) para RD (inadimplência restrita). A Fitch destacou que a medida foi unilateral, por decreto e sem negociação com os credores, sendo adotada para evitar um default tradicional no pagamento.

A diferença entre a medida tomada por Fernández e a pelo ex-presidente Mauricio Macri, em agosto do ano passado, é que agora o “default” envolve títulos de longo prazo – sob Macri, foram apenas os de curto prazo, como os de 30 ou 90 dias. “A situação é cada vez mais extrema, e as reservas internacionais não dão conta”, diz o economista Lorenzo Sigaut, da consultoria argentina Ecolatina.

Segundo ele, o Banco Central tem ao redor de US$ 11 bilhões em reservas líquidas. A dívida que vencia agora era de aproximadamente US$ 9,8 bilhões. 

Com um volume de reservas limitadíssimo, em recessão econômica, sem acesso a financiamento e com a crise do coronavírus para enfrentar, a Argentina está recorrendo à emissão de moeda para ampliar os gastos nos próximos meses.

Fernández já anunciou que, em abril, pagará 10 mil pesos (pouco mais de R$ 800) para cada argentino que esteja sem fonte de renda. A medida deve alcançar 3,6 milhões de famílias e pode se estender caso a quarentena se prolongue. Com o apoio da oposição, o governo determinou, em 19 de março, uma quarentena total no país até a semana passada, o que foi, posteriormente, estendido até 12 de abril.

Apesar dos altos índices de inflação no país, que encerrou 2019 com um aumento de 53,8% nos preços, a emissão monetária para financiar os gastos não tem preocupado economistas. De acordo com Sigaut, a medida não deve gerar pressão inflacionária no curto prazo, pois grande parte da economia está parada. Quando o pior momento da crise passar, no entanto, o Banco Central terá de retirar parte da liquidez para garantir que não haja uma explosão nos preços. 

“A linha de atuação (da equipe econômica comandada por Martín Guzmán) é correta. Como em todo o mundo, é preciso que o governo aumente os gastos. Não deve haver uma hiperinflação por causa da emissão monetária agora dado que os pesos estão circulando muito menos do que em períodos normais”, destacou outro economista do mercado financeiro argentino.

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