Argentina precisa de investimentos, diz Aznar

O primeiro-ministro espanhol e atual presidente da União Européia (UE), José María Aznar, disse que a Argentina não conseguirá superar a crise se não apresentar um plano crível e que atraia o apoio internacional. "Não haverá saída sem esse apoio", disse Aznar numa entrevista à televisão espanhola ontem à noite. "A União Européia deseja uma recuperação rápida para a Argentina e, para isso, o governo deve apresentar um plano crível aos olhos da sociedade argentina e das instituições internacionais, um plano, portanto, dialogado e consensual".Segundo ele, é fundamental que o governo argentino negocie um plano consensual com os principais agentes econômicos "como prova de confiança, pois é muito importante que a Argentina continue a receber investimentos e o apoio das instituições internacionais".Aznar reconheceu que as empresas espanholas registrarão perdas "porque seria impensável que o maior investidor estrangeiro na Argentina não seja prejudicado" e observou que os investimentos espanhóis na Argentina são estratégicos, de longo prazo. "Eles lá desembarcaram no pior momento, durante a hiperinflação dos anos 80, e lá permaneceram todos esses anos, apesar das crises."Aznar também rebateu as acusações de que a Espanha esteja pressionando a Argentina e reiteirou que pretende colaborar amplamente com as autoridades de Buenos Aires. O ministro da economia espanhol, Rodrigo Rato, também negou qualquer pressão sobre a Argentina. "A Espanha não faz pressão", disse.EmpresasO diário espanhol Expansión informou hoje que as empresas espanholas com investimentos na Argentina começaram a tomar decisões para enfrentar a crise. A companhia petrolífera Repsol YPF e a Telefónica, que foram muito afetadas pelas novas medidas econômicas, manifestaram sua intenção de colaborar com o governo de Eduardo Duhalde.O presidente da Repsol YPF, Alfonso Cortina, enviou uma carta aos funcionários da empresa na qual diz que os investimentos na Argentina são "estáveis e definitivos". Cortina disse que pretende colaborar com o governo argentino na busca de soluções "construtivas e flexíveis, compatíveis com os nossos legítimos interesses empresariais". Segundo ele, há três anos a Repsol "adquiriu um compromisso importante com a Argentina através da aquisição da YPF". Este investimento, segundo ele, é "estável e definitivo".As declarações de Cortina ocorreram um dia após o governo argentino ter anunciado sua intenção de substituir um novo imposto sobre as exportações de petróleo e derivados por um empréstimo de US$ 1,4 bilhão. A Telefónica anunciou que está renegociando seus contratos, após a adoção das novas medidas econômicas na Argentina. A operadora se disse também disposta a colaborar com o governo argentino.Leia o especial

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