Argentina prepara-se para sobreviver sem FMI até fim do ano

Com as reservas internacionais pouco acima de US$ 25 bilhões, voltando ao nível registrado antes da crise financeira, e a arrecadação cada vez maior, o governo argentino prepara-se para sobreviver até o final do ano sem a ajuda do Fundo Monetário Internacional (FMI).Embora o assunto seja tratado com total hermetismo pela equipe econômica, fonte do Ministério de Economia confirmou que são positivas as expectativas sobre um acordo com o FMI, para a rolagem das dívidas de 2005 até 2007. Mas, "por via das dúvidas, estamos armando um colchão financeiro para pagar as dívidas até dezembro", disse a fonte referindo-se ao tempo que pode durar as negociações entre o FMI e o governo.Levantamento da dívidaSegundo um levantamento realizado pela consultoria do economista Miguel Broda, de setembro até dezembro, o governo precisa de aproximadamente US$ 3,3 bilhões (uns 9,7 bilhões de pesos) para cobrir os compromissos financeiros. Se houver uma negociação rápida e o FMI concordar em rolar 70% do capital que vence no último trimestre, a carga seria aliviada para US$ 1,9 bilhão.No estudo de Broda, o governo dispõe de algumas alternativas para conseguir o dinheiro necessário: a colocação de Letras num valor de US$ 1,6 bilhão e o refinanciamento da dívida que vence em dezembro com o Fundo Unificado de Contas oficiais, pelo qual poderia obter US$ 694 milhões.O estudo diz que, se o governo colocasse mais dívida no mercado doméstico, em pesos ou em dólares, seria possível conseguir cerca de US$ 1 bilhão. A hipótese de lançar mão das reservas é a última alternativa sugerida por Miguel Broda, já que para isso, o BC teria que mudar seu estatuto (carta orgânica), ou criar algum mecanismo técnico, pelo qual o BC possa emprestar dinheiro ao Tesouro.

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