Ações

Empresas de Eike disparam na bolsa após fim de recuperação judicial da OSX

Argentina prepara troca de títulos para aliviar caixa

Operação envolverá US$ 6 bi e governo espera retomar fôlego para suportar a carga da dívida depois de 2010

Marina Guimarães, da Agência Estado,

20 de agosto de 2009 | 11h55

A equipe econômica da Argentina prepara um swap (troca de títulos), dentro de um prazo máximo de 15 dias, de títulos da dívida ajustados pela inflação, em uma operação que vai envolver US$ 6 bilhões, segundo informações de uma alta fonte do Ministério de Economia. O objetivo é aliviar a pressão sobre o caixa até 2011 de aproximadamente 3 bilhões de pesos (US$ 773 milhões). "A troca vai ser focada nos bônus de curto prazo, que vencem entre 2010 e 2011", disse a fonte durante conversa com jornalistas que cobrem o Ministério de Economia.

 

O maior volume de títulos que se encaixam na descrição são os chamados "Préstamos garantizados" (PGs)- empréstimos garantidos- , Boden 2014 e PRE 9, segundo detalhou a fonte. "O swap vai envolver bônus ajustados pela inflação por títulos que renderão taxa de juros Badlar mais alguns pontos", detalhou. A taxa Badlar é a taxa média paga pelos bancos privados para depósitos superiores a um milhão de pesos (RS$ 480 mil), com prazo fixo de 30 a 35 dias. Atualmente, a Badlar gira em torno de 12,5% a 13% anuais.

 

A equipe econômica não pretende trocar os bônus de prazos mais longos ou quase par, conforme indicou a fonte, afirmando ainda que 45% dos bônus que vão entrar na operação "estão nas mãos do Estado". O funcionário disse também que a operação vai permitir ao Governo economizar 1 bilhão de pesos em 2010 (US$ 261 milhões) e outros 3 bilhões de pesos em 2011 (US$ 522 milhões). Os títulos que vão entrar na operação são corrigidos pelo indexador chamado CER.

 

A fonte não confirmou boatos do mercado de que haverá um corte da dívida como parte da oferta de troca. A dívida pública da Argentina é de aproximadamente US$ 140 bilhões, sem incluir os US$ 22 bilhões dos bônus em default que continuam nas mãos dos holdouts, os investidores que não entraram na reestruturação de 2005. Em janeiro de 2001, a Argentina declarou o default de uma dívida de US$ 120 bilhões, que foi reestruturada com um calote de 70% do valor, em 2005. Por falta de um acordo com os credores dos títulos que não foram reestruturados, a Argentina está fora do mercado voluntário de crédito.

 

As advertências dos analistas são de que o país não terá fôlego para suportar a carga da dívida depois de 2010, se não regressar ao mercado internacional. Por isso, a equipe econômica tem a prioridade de aliviar a pressão sobre o caixa o máximo que for possível. O Tesouro ganhou oxigênio no final do ano passado com a estatização dos fundos de pensão, que rendeu à agência de seguridade social, Anses, fundos de US$ 30 bilhões e um fluxo de caixa de US$ 3,5 bilhões anuais das contribuições dos futuros aposentados. A Anses é um dos organismos estatais que compram os títulos da dívida soberana. Quase todos os bônus que vão entrar na próxima operação fazem parte do portfólio da Anses, herdado junto com os ativos dos fundos de pensão estatizados.

Tudo o que sabemos sobre:
Argentinaeconomiaswap

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.