Argentina pressiona cambistas de dólar

Governo ordenou uma série de blitze no centro portenho, fechando algumas agências de câmbio, além de perseguir nas ruas cambistas que vendiam dólares aos turistas

Ariel Palacios, correspondente de O Estado de S. Paulo,

29 de agosto de 2013 | 02h22

BUENOS AIRES - A derrota da presidente Cristina Kirchner nas eleições primárias do dia 12 de agosto e a perspectiva de um novo fracasso do governo nas urnas nas eleições parlamentares do dia 27 de outubro está provocando uma nova disparada do dólar na Argentina. A cotação oficial da moeda americana - o refúgio financeiro preferido dos argentinos há quatro décadas - encerrou ontem em 5,65 pesos. A cotação paralela "light" ficou em 8,75 pesos, enquanto que a versão do dólar paralelo aplicada pela maioria dos cambistas chegou a 9,69 pesos. Desta forma, a brecha entre a cotação oficial e a extraoficial ultrapassa os 70%.

No entanto, no fim do dia o secretário de comércio interior, Guillermo Moreno, ordenou uma série de blitze no centro portenho, fechando algumas agências de câmbio, além de perseguir nas ruas cambistas que vendiam dólares aos turistas. Moreno é o homem forte da presidente Cristina na cruzada antidólar deflagrada pelo governo em outubro de 2011.

Nos últimos dois anos, a Casa Rosada aplicou uma série de restrições que tornam quase impossível a compra de dólares por parte dos cidadãos argentinos. Sem a possibilidade de comprar pela via oficial, os argentinos recorrem ao paralelo, mercado que havia praticamente desaparecido nos 20 anos anteriores.

O governo tenta manter as aparências cambiais com o dólar oficial. No entanto, desde junho, em diversas reuniões com os donos de agências de câmbio - e também com cambistas ilegais -, o secretário Guillermo Moreno exerceu fortes pressões para que o dólar paralelo seja "moderado". Por este motivo, os cambistas fazem as operações ilegais anunciando um paralelo mais "light" - o denominado "blue" - para agradar o governo, embora, na realidade, protagonizem um câmbio mais elevado, chamado de "dólar-cueva" (dólar-caverna).

Repatriação. Em julho o governo anunciou o "Plano de Exteriorização Voluntária de Divisas", nome do mecanismo que implementa a anistia para os dólares não declarados que poderão entrar no sistema financeiro do país durante três meses. Além de tentar trazer fundos frescos para o país, a lei pretendia provocar uma queda do dólar. No entanto, o plano fracassou e o dólar voltou a crescer, embora de forma gradual. Mas a derrota do governo nas urnas provocou uma nova disparada na última quinzena.

O resultado eleitoral coloca a pique os planos do governo de reformar a Constituição com o objetivo de permitir reeleições presidenciais indefinidas para Cristina Kirchner.

Nesta semana, o dólar paralelo voltou a subir a partir do anúncio da presidente Cristina sobre uma nova - e polêmica - reestruturação da dívida pública com os "holdouts" (denominação dos credores que não entraram nas trocas de títulos realizados em 2005 e 2010).

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