Argentina pressiona doleiros para baixar paralelo, acusam cambistas

Funcionários do governo tentam brecar a alta da cotação da moeda americana no chamado ‘dólar blue’

Marina Guimarães, da Agência Estado,

17 de julho de 2013 | 16h14

BUENOS AIRES - Funcionários do governo de Cristina Kirchner voltaram a pressionar os doleiros portenhos para brecar a alta da cotação do dólar "blue", como é chamado o paralelo na Argentina. Depois de subir 0,20 centavos, a 8,70 pesos (compra) e 8,75 pesos (venda), ontem, a moeda permaneceu estável e com poucos negócios nas casas de câmbios, nesta quarta-feira (17). O câmbio oficial também operou estável em 5,385 pesos (compra) e 5,445 pesos (venda).

Por pedido expresso do secretário de Comércio Interior, Guillermo Moreno, a moeda ficou estacionada nas últimas semanas de junho, depois de ter tocado a cotação de 10,50, em 8 de maio. Mediante pressões, o dólar ficou abaixo da cotação de 8 pesos. Porém, o início das férias de inverno estimulou a demanda e o movimento das casas de câmbio clandestinas, chamadas de "cuevas". A ideia de Moreno era dar tempo para a entrada em vigor da anistia fiscal, desenhado pelo governo para atrair cerca de US$ 4 bilhões que saíram do mercado formal, de maneira ilegal, no último ano.

Há 15 dias, entrou em vigor um dos papéis, o Cedin, voltado para investimentos no setor imobiliário. O cidadão entrega os dólares a qualquer banco, sem a obrigação de explicar sua origem, e recebe o Cedin, que também pode ser negociado livremente no mercado secundário, em dólares. Nesta quarta, foi a vez da estreia do Baade, título destinado a atrair recursos para a petrolífera estatal YPF, com uma taxa de retorno ao investidor de 4,5% ao ano. O Baade também pode ser resgatado em dólares.

Ambos os instrumentos pretendem não só atrair dólares não declarados, mas também ocupar o lugar do dólar paralelo. Os doleiros descartam essa possibilidade. "Quem tem capacidade de guardar dinheiro ou de investir, prefere a compra de dólares porque há muitas incertezas sobre as políticas oficiais", opinou um dos operadores ouvidos pelo Broadcast. Segundo um doleiro da city portenha, "a demanda é constante e não diminuiu, só está mais discreta".

No mercado, as informações são de que Moreno também telefonou para as corretoras para pedir que não operem com a compra de títulos em pesos, os quais são vendidos posteriormente em dólares, no exterior. O instrumento denominado "dólar bolsa" é uma das poucas maneiras legais de tirar divisas do país e está limitado por várias normas. O objetivo do governo é orientar os recursos destinados à compra de dólares no paralelo ou ao "dólar bolsa" para o Cedin e o Baade.

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