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Argentina pressiona para entrar no Brics

Grupo, no entanto, não planeja ampliar o número de membros, ainda mais na situação atual vivida pelos argentinos

FORTALEZA (CE), O Estado de S.Paulo

15 de julho de 2014 | 02h03

Envolvida em uma crise econômica que pode levar a um calote técnico na sua dívida externa, a Argentina tem pressionado para ser o próximo país a integrar o Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). No entanto, prestes a começar sua sexta cúpula, o grupo não planeja ampliar o número de membros, mais uma vez.

Apesar da simpatia pela ideia demonstrada pelos chineses - que já defenderam antes a entrada de Indonésia e México - os demais países resistem a abrir a porta em um momento em que o grupo ainda tenta se consolidar como algo mais do que um amontoado de letras.

No último mês, declarações de diplomatas russos e chineses, incluindo o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, foram interpretadas pelo governo argentino como uma abertura para a inclusão do país nos próximos meses.

Em maio, durante uma visita do chanceler da Argentina, Hector Timmerman, a Moscou, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores afirmou que seu governo via com simpatia a integração da Argentina no Brics e que a presidente argentina, Cristina Kirchner, seria convidada para a Cúpula de Fortaleza.

Na verdade, Cristina foi convidada para a reunião ampliada, em Brasília, juntamente com os demais presidentes da América do Sul.

Na última semana, a agência estatal argentina Télam também vendeu a ideia de que o país estava a um passo da adesão, ao informar que a China proporia a entrada da Argentina como o próximo integrante do Brics, o que não aconteceu. Li Baorong, subdiretor-geral da América Latina e do Caribe da chancelaria chinesa, afirmou apenas que a China manteria "uma atitude aberta" sobre novos membros.

Fora da pauta. Diplomatas ouvidos pelo Estado revelam que a adesão de outros países não está em pauta na reunião de Fortaleza e a suposta simpatia chinesa e russa não passa de gesto diplomático. Os orientais, especialmente, dificilmente dizem não, o que não quer dizer que tenham dito sim.

O interesse argentino vai além da coordenação política. O país poderia se beneficiar da criação do Banco de Desenvolvimento e do Arranjo Contingente de Reservas (CRA) em um momento em que não tem a simpatia dos mecanismos tradicionais, como o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial, e enfrenta sérias dificuldades para honrar seus compromissos internacionais por conta da crise com os chamados fundos holdout, que exigem - e venceram - na Justiça americana o pagamento integral dos débitos do país, sem o desconto acertado com outros credores.

Instabilidade. Mas, justamente pela posição delicada, a Argentina não seria exatamente uma candidata de primeiro time a fazer parte de uma ampliação do Brics. O país tem US$ 30 bilhões de reservas, mas o valor vem caindo - 30% menos em 2013 -, e a Argentina pode ter de usar boa parte disso para pagar os credores. Em uma situação difícil, poderia criar instabilidade no CRA antes mesmo do arranjo sair do papel.

Um dos pontos cruciais defendidos pelos negociadores é que o fundo de reservas servirá como garantia para os cinco países, mas está sendo criado para não ser usado, já que não há sinais de crise fiscal nem mesmo no médio prazo - o que não é o caso da Argentina. / L.P.

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