Argentina proíbe exportações de carne bovina por 180 dias

O governo argentino decidiu, ontem à noite, proibir as exportações de carne bovina por um período de 180 dias. O anúncio foi feito pela ministra de Economia, Felisa Miceli, quem havia desmentido a medida no final da tarde, durante encontro com produtores rurais por ocasião de visita à exposição agropecuária."A demanda de carne se incrementou notavelmente, tanto em nível local como internacional", justificou a ministra durante anúncio, por volta das 21h30 (horário de Brasília), na Casa Rosada.Miceli argumentou que a medida foi baseada na necessidade de frear a escalada dos preços internos do produto. Para o presidente da Sociedade Rural Argentina, Luciano Miguens, medidas como a suspensão de exportações ou o aumento dos impostos para as vendas externas, chamados de retenções, não servem muito para frear os preços porque "80% da produção fica na Argentina". Miguens qualificou a medida como um "tapa buraco" que, ao longo do tempo, "não serve para aumentar a oferta".O índice novilho do Mercado de Liniers, onde são negociados as cabeças para o abate, subiu 5,5% ontem. Os aumentos foram registrados pelo quarto dia consecutivo, acumulando uma alta de 15%, o que acendeu o alarme na Casa Rosada. Desde o dia primeiro de março passado, o governo determinou que o peso mínimo para o abate do novilho deve ser de 280 quilos, com o objetivo de manter o estoque de gado.Porém, os produtores são contra a medida, alegando que a mesma provoca alta nos preços. O presidente Néstor Kirchner, por sua vez, reclamou ontem que os preços da carne "sobem todos os dias" e que "a carne tem que ser primeiro para os argentinos, a um preço que possam pagar".Kirchner afirmou que não lhe interessa "exportar às custas da fome" da população. A grande briga do presidente contra os produtores de carne bovina tem uma justificativa: no país, cujo consumo per capita anual de carne chega a 64 quilos, o peso do produto na cesta básica é tão grande que pode provocar uma disparada da inflação.

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