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Argentina promete pagar dívidas

Governo corre para desmentir rumores nos EUA e na Europa sobre a possibilidade de novo calote internacional

Ariel Palacios, O Estadao de S.Paulo

28 de agosto de 2008 | 00h00

Os principais homens do governo da presidente Cristina Kirchner garantiram ontem que a Argentina não dará um novo calote da dívida pública. Durante a reunião anual do Conselho das Américas, em Buenos Aires, eles insistiram que o país, ao contrário das recentes especulações na Europa e nos Estados Unidos, pagará normalmente os vencimentos da dívida nos próximos anos."A Argentina vai cumprir com todos e cada um de seus compromissos. Ninguém com boas intenções pode ter dúvida disso", disse o chefe do Gabinete de Ministros, Sergio Massa. No auditório do hotel Alvear, onde foi realizada a reunião, centenas de empresários americanos, argentinos e de outros países perguntavam sobre a real capacidade do governo Cristina de pagar os vencimentos da dívida de 2008, 2009 e 2010. "A Argentina é um país amigável para aqueles que queiram investir. Saibam que aqui está um governo que vai defender, promover e proteger cada dólar que enterrem no país, pois significa mais trabalho", afirmou Massa. No entanto, o verbo "enterrar" que o ministro aplicou ao dólar causou comentários irônicos.Nas últimas semanas, surgiram dúvidas nos mercados sobre a capacidade da Argentina de pagar os próximos vencimentos da dívida, que aumentarão de forma considerável a partir de 2009.No meio da onda de desconfiança, diversas agências qualificadoras reduziram a nota da Argentina, ressaltando que o cenário político é "incerto". Na semana passada, fontes do Fundo Monetário Internacional (FMI) indicaram à imprensa portenha que a Argentina rumaria perigosamente em direção a um "iceberg" financeiro no ano que vem.O presidente do Banco Central da Argentina, Martín Redrado, que também participou da reunião do Conselho das Américas, afirmou que as dúvidas sobre a capacidade e a vontade de pagamento da dívida "não têm fundamento". Segundo Redrado, a Argentina tem "bolsões de liquidez", resultado da "poupança fiscal dos últimos anos"."O país conta atualmente com um superávit fiscal primário de 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB). Para manter a dívida constante é necessário 1,3%. E esse nível nós superamos com folga", ressaltou o presidente do BC, minimizando os temores dos mercados.SHANNON O subsecretário de Estado americano para Assuntos do Hemisfério Ocidental, Thomas Shannon, que foi a estrela principal da reunião em Buenos Aires, driblou com diplomacia as perguntas sobre os alertas que os analistas de mercado fizeram nas últimas semanas sobre a capacidade argentina de pagamento da dívida. "A gente sempre tem que tratar com cuidado as opiniões dos analistas, porque o mundo muda rápido. Os analistas ajudam a entender, mas não podem ser a única fonte de informação."Informações extra-oficiais afirmam que, na conversa com Shannon, representantes do governo argentino pediram que o governo americano respalde as tentativas do país de retomar as discussões com o Clube de Paris. O governo Cristina Kirchner pretende renegociar a dívida de mais de US$ 6 bilhões que o país possui com esse organismo financeiro. No entanto, o processo formal de renegociação com o Clube de Paris precisa do aval do FMI. Para isso, a Argentina teria de concordar que o Fundo fizesse uma auditoria nas contas públicas, medida que o país não aceita.No fim da tarde, Shannon reuniu-se com a presidente Cristina na Casa Rosada. O representante dos Estados Unidos declarou que as relações com a Argentina são "boas e frutíferas".2010 O banco de investimentos Lehman Brothers divulgou ontem um relatório no qual indica que o governo argentino terá sérias dificuldades tanto para cumprir suas obrigações de pagamento quanto para cobrir suas necessidades de financiamento. O banco considera que o cenário de um calote da dívida é "concebível" a partir de 2010. Outro banco, o Morgan Stanley ressaltou que o governo poderá cumprir seus compromissos. Mas destaca que essa capacidade existe, pelo menos, até 2010.

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