Argentina promete vender trigo para o Brasil

A Secretaria de Agricultura e Pecuária da Argentina (Sagpya), o equivalente ao ministério da agricultura no Brasil, garante que os moinhos brasileiros não terão mais problemas para comprar trigo. Em informe, a Sagpya diz que das 16 milhões de toneladas, em média, que deverão ser colhidas nesta safra, 5,7 milhões de toneladas foram comercializadas, e, destas, 1,7 milhão destinam-se ao Brasil. Parte desse volume já foi desembarcado nos portos brasileiros e o restante deve chegar até fevereiro. Como a Argentina consome cerca de 5 milhões de toneladas de trigo por ano, restarão aproximadamente 5,3 milhões de toneladas para exportação. A Sagpya prevê que esse volume será todo destinado ao Brasil, que importa da Argentina cerca de 7 milhões de toneladas ao ano, para atender um consumo de 10 milhões de toneladas. Na safra 2001/02, o Brasil produziu 2,9 milhões de toneladas de trigo. "Nosso principal sócio no Mercosul já adquiriu a metade de suas necessidades de trigo para o mês de fevereiro, e o mercado de grãos está operando normalmente", informa a Sagpya. Os moinhos brasileiros importam da Argentina cerca de 600 mil toneladas de trigo ao mês.As exportações de trigo na Argentina estavam paralisadas desde meados de dezembro. Antes da desvalorização do peso, o produtor recusava-se a fechar negócio com medo de perda com a nova política econômica. Depois da desvalorização, o exportador reclamava regras mais claras para a conversão da moeda. Essas regras foram definidas na última sexta-feira, quando o governo acertou a paridade de 1,40 peso para cada dólar exportado. No início desta semana, moinhos brasileiros informavam sobre a retomada gradual das importações e, com isso, afastavam o risco de desabastecimento. A Associação Brasileira da Indústrias do Trigo (Abitrigo), no entanto, se diz cautelosa, porque os estoques atuais seriam suficientes até a primeira quinzena de fevereiro. Para afastar completamente o risco de desabastecimento, insistia o presidente da Abritrigo, Roland Guth, os embarques de trigo para o Brasil precisam ser normalizados até o final desta semana.Para os argentinos, os embarques de trigo para o Brasil nunca foram interrompidos, mesmo no período de indefinição da nova política econômica. "Os embarques sempre foram normais: não houve interrupção em nenhum porto da Argentina", insiste Hector Nestor Niell, presidente da corretora Intagro SA, com sede em Buenos Aires. Segundo ele, a suspensão temporária nos contratos de compra e venda é justificável num período de incerteza econômica, como o que atingiu a Argentina. Niell considera que as reclamações do Brasil decorrem de uma situação particular verificada na passagem do ano. De acordo com ele, moinhos brasileiros atrasaram as compras do trigo argentino, que em geral começam a ser feitas em novembro, à espera de uma queda nos preços do cereal no pico da colheita argentina (dezembro/janeiro). "Eles estavam abastecidos com a produção brasileira, que este ano foi maior, e podiam esperar", diz. Mas a crise argentina levou à interrupção das exportações por mais de 20 dias, e o sinal amarelo acendeu na indústria brasileira. A Secretaria de Agricultura da Argentina reforça essa tese. De acordo com o informe divulgado, o Brasil comprou trigo da Argentina "em um ritmo inferior ao de outros anos, contando com um grande volume de colheita, o que derrubaria os preços". Mas a produção de trigo argentino na safra 2001/02, inicialmente prevista em 20 milhões de toneladas, foi revista várias vezes por conta dos problemas climáticos, caindo para 15,3 milhões de toneladas (estimativa feita na última segunda-feira).Mesmo com a oferta reduzida, os argentinos dizem que o Brasil terá seu abastecimento garantido. "Tendo coberto suas necessidades para o resto do mês de janeiro, o Brasil precisa de cerca de 600 mil toneladas para atender o consumo de fevereiro, faltando comprar apenas 300 mil toneladas", informa a Secretaria da Agricultura da Argentina. O corretor Hector Nestor Niell confirma a normalização das compras para esta semana. Segundo ele, o mercado é mais vendedor que comprador, o que mostra maior oferta do cereal. Na semana passada, o trigo argentino estava sendo vendido a US$ 125 a tonelada FOB. Hoje, o preço caiu para US$ 121 a tonelada FOB. Leia o especial

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