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Argentina propõe ampliar cotas de vendas para UE

O secretário-geral do Comércio e Relações Econômicas Internacionais da Argentina, embaixador Martín Redrado, defendeu, nesta quarta-feira, perante platéia composta de empresários, uma proposta que tem o potencial de irritar o governo brasileiro e criar uma divisão interna no Mercosul num momento crucial para o progresso das negociações com a União Européia (UE).Ao discursar no Fórum Empresarial Brasil-Mercosul, Redrado sugeriu que o Mercosul deveria priorizar a ampliação das suas cotas de exportação para a UE em vez de insistir nas negociações de um acordo mais amplo, que contenha inclusive a derrubada dos subsídios agrícolas."Devemos abandonar a retórica contra os subsídios", disse Redrado. "Não há outro modo de avançar nas negociações em termos de abertura para os nossos produtos sem o aumento de cotas." Após o evento, questionado por jornalistas, ele disse que falou "em caráter pessoal".Mas fontes do governo argentino afirmaram que a idéia vem ganhando corpo há algumas semanas. "Como uma questão de princípios, é correto criticar os subsídios", disse essa fonte. "Mas a realidade é que isso vai demorar muitos anos, e precisamos encontrar com urgência caminhos para abrir os mercados para os nossos produtos."O chefe da missão brasileira junto à UE, embaixador José Alfredo Graça Lima, disse que a delegação argentina não apresentou até agora em Madri nenhuma proposta que altere a tradicional posição do Mercosul. "Continuamos falando na mesma língua", disse o embaixador. "O aumento das cotas teria um impacto positivo se fosse feito já, mas isso é pouco para quem quer um acordo que seja compatível com a OMC.?Segundo ele, cotas podem ser negociadas a qualquer momento. "Mas precisamos ser mais ambiciosos nas negociações, até para ser ambiciosos em outras áreas." Graça Lima observou, no entanto, que "se poderiam admitir as duas frentes de negociação".O ministro das Relações Exteriores do Uruguai, Didier Opertti, não rechaçou a proposta de Redrado. "É uma das idéias que devem ser avaliadas, mas ainda não temos nenhuma conclusão sobre isso", disse. "Mas é uma possibilidade imediata."O presidente do Grupo Sadia e vice-presidente da Fiesp, Luiz Fernando Furlan, disse que o comissário europeu para o comércio, Pascal Lamy, ao visitar o Brasil no ano passado, sugeriu que as negociações poderiam ser iniciadas através do aumento de cotas. "Eu vejo isso como um caminho viável, como um primeiro passo de uma redução gradual das barreiras para os nossos produtos agrícolas", disse Furlan. "Os Estados Unidos, por exemplo, fizeram isso com o México."Já o vice-presidente da Confederaçao Nacional da Agricultura (CNA), Gilman Viana Rodrigues, criticou duramente a proposta. "Isso não faz sentido, é reflexo do desespero dos argentinos", disse. "É como se o seu time pudesse disputar a Copa do Mundo, mas decidisse participar do torneio do bairro".

Agencia Estado,

15 de maio de 2002 | 18h34

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