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Argentina quer controlar até o dólar paralelo

Para evitar alta da moeda, governo faz ameaça a doleiros e paralisa mercado paralelo no país

Ariel Palacios, Marina Guimarães, correspondentes / Buenos Aires, O Estado de S.Paulo

11 de junho de 2013 | 02h01

O governo da presidente Cristina Kirchner, que controla a cotação do dólar oficial, pretende agora determinar o valor do dólar paralelo. Essa é a missão do secretário de comércio interior, Guillermo Moreno, que manteve reuniões nos últimos dias com empresários das agências de câmbio de Buenos Aires para exigir que - por algumas semanas - reduzam a cotação do dólar paralelo por intermédio de seus contatos e sócios no mercado informal.

Segundo esses empresários, Moreno fixou um teto para o valor do dólar paralelo, de 6 a 7 pesos. Os duros controles do câmbio, iniciados em novembro de 2011, não têm sido suficientes para reduzir a desconfiança da população na moeda nacional, e agora o governo decidiu ameaçar os doleiros.

O motivo das pressões de Moreno é que o governo Kirchner quer uma cotação do paralelo mais "comportada" no momento em que começar a funcionar a "exteriorização da capitais", nome da lei de anistia para o retorno dos dólares de argentinos no exterior. A lei entra em vigor no fim deste mês. Moreno disse aos empresários do setor de câmbio que, caso não colaborem, "a coisa iria mal" para os donos das agências.

A presidente Cristina deflagrou uma cruzada antidólar dias após sua reeleição, em 2001. Em poucos meses, criou várias barreiras para impedir que os argentinos poupem em dólares, moeda que foi o tradicional refúgio das economias da população nos últimos 40 anos. As duras restrições provocaram o ressurgimento do mercado paralelo, desativado desde o início dos anos 90.

Paralisação. Ontem o mercado de câmbio paralelo ficou virtualmente paralisado na Argentina. Por medo de represálias e dos controles oficiais para evitar a compra e venda de divisas, os doleiros deixaram de operar pelo terceiro dia útil consecutivo. O último dia de operação foi na quinta-feira, quando a moeda foi cotada a 8,52 pesos para compra e 8,57 pesos para venda. No câmbio oficial, houve pequena oscilação de 0,09%, a 5,260 pesos (venda) e 5,315 (compra).

Os doleiros temem uma devassa fiscal e a cassação de licenças de operação no câmbio oficial. Muitos doleiros que operam no paralelo também têm operações reguladas pelas autoridades argentinas. Na sexta-feira, Moreno voltou a reunir-se com os principais doleiros para insistir com o limite da cotação informal. Foi o segundo encontro desde quando o dólar passou dos 10 pesos.

"A situação está complicada e ninguém quer se arriscar a uma represália", confirmou um operador ouvido pelo Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado. Ele disse que, em momentos como estes não há nem como dar uma cotação.

No início de maio, a cotação no paralelo chegou a 10,50 pesos e despertou a fúria do governo, que luta para evitar a contínua perda de reservas. Nas semanas seguintes, o Banco Central fez várias intervenções para derrubar a cotação. Mas elas foram consideradas insuficientes, e agora o governo pretende forçar uma queda maior, e para isso convocou Guillermo Moreno.

O secretário, conhecido por sua truculência, também é o encarregado do congelamento de preços e da maquiagem do índice de inflação do Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec). Nos últimos anos, ficou famoso por pressionar empresários telefonando pessoalmente a suas casas nas madrugadas de domingo. Além disso, utiliza palavras de baixo calão nas reuniões com o empresariado, a quem costuma ameaçar com blitze do Fisco.

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