Argentina quer convencer o Brasil a vender menos calçado

O governo do presidente Néstor Kirchner pode aplicar medidas que restringirão drasticamente a entrada de calçados brasileiros na Argentina. Antes, daqui a 12 dias, o secretário da Indústria argentino, Alberto Dumont, deve conversar em Brasília com o secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Márcio Fortes. A missão de Dumont é conseguir - por intermédio e pressão do governo Luiz Inácio Lula da Silva - que os empresários brasileiros aceitem limitar voluntariamente suas vendas à Argentina. Se não alcançar o objetivo planejado, Kirchner estaria disposto a aplicar licenças não automáticas para a entrada de calçados. Esta seria mais uma violação do espírito de livre comércio do Mercosul. Há um mês, a Argentina rompeu esse espírito ao aplicar unilateralmente licenças não automáticas para entrada de lavadoras de roupa. Também impôs tarifa de 21,5% nas importações de televisores da Zona Franca de Manaus e aplicou cotas para a entrada de fogões e geladeiras do País. Importações da Argentina aumentaram 78%O governo Kirchner ainda está analisando o caso. "Por enquanto, continuaremos acompanhando os números", explicou Dumont. Mas, no encontro com Fortes, o secretário deve expressar a preocupação de seu país sobre a suposta invasão de calçados brasileiros.Os empresários argentinos dizem que o acordo fechado com os fabricantes brasileiros no início do ano estipulava entrada máxima de 12 milhões a 13 milhões de pares de calçados em 2004. Mas, segundo os calçadistas, as importações teriam aumentado 78% no primeiro semestre, chegando a quase 5 milhões de pares. Até o fim do ano, calculam, o Brasil venderá ao mercado argentino mais de 18 milhões de pares. O caso foi tema de conversa, domingo, do chanceler brasileiro, Celso Amorim, e do ministro da Economia, Roberto Lavagna, em Buenos Aires. Sobre a invasão, Amorim afirmou que não pretendia deixar a Argentina com uma "má notícia".

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