Argentina quer destravar negociações com o FMI

Depois do papelão de receberem a comissão de notáveis e a missão do Fundo Monetário Internacional (FMI) brigados e defendendo propostas diferentes para a saída do "corralito", o ministro de Economia, Roberto Lavagna, e o presidente do Banco Central, Aldo Pignanelli, pretendem viajar juntos a Washington para tentar destravar as negociações com o organismo. A viagem ocorreria na primeira quinzena de agosto, segundo informações do próprio Pignanelli, mas ainda depende dos resultados da visita que o secretário do Tesouro norte-americano, Paul O´Neill, realizará a Buenos Aires na próxima quarta-feira.A idéia é fechar um acordo antes do dia 12 de agosto que implique na renovação de todos os vencimentos da dívida deste ano para um prazo de 12 meses. Em setembro, vencerá uma parcela de US$ 2,8 bilhões. O governo deseja também um acordo stand-by com um ano de duração, o que seria mais difícil de ser concretizado, segundo os especialistas. Somente após esta viagem, o FMI decidiria sobre o envio de uma missão com caráter negociador, encabeçada por Anoop Singh, diretor do Departamento Ocidental. Até lá, as missões técnicas continuam sendo chefiadas pelo inglês John Thornton, que deverá permanecer no país até a próxima sexta-feira.Está prevista a chegada, na semana que vem, de um novo grupo de técnicos especializados em reestruturação bancária. A equipe atual trabalha no programa monetário e na auditoria das contas públicas, principalmente, das províncias. O Banco Central já começou a negociar um novo plano monetário para 2002 com o FMI, o qual envolve uma nova saída para o "corralito". A informação foi dada pelo presidente do BC, após as intensas reuniões com a comissão de notáveis, formada pelos ex-presidentes dos BCs Hans Tietmeyer (Alemanha), Andrew Crockett (Canadá) e Luis Rojo (Espanha), e John Crow (gerente-geral do Banco Internacional de Pagamentos da Basilea).Hoje, a comissão de notáveis deixará a Argentina e levará um relatório ao FMI na próxima semana. John Thornton também deixará o país, depois de amanhã, levando seu relatório. No dia 31, chega Paul O´Neill junto com seu segundo, John Taylor. O governo espera que estes três abram caminho para a conclusão das negociações. Enquanto isso, Pignanelli e Lavagna tratarão de ajustar suas diferenças para unificar o discurso do governo, pedido feito pela comissão.O novo programa monetário aumenta as metas das reservas internacionais de um piso de US$ 9 bi para US$ 9,8 bilhões. Os empréstimos aos bancos serão reduzidos pela metade. De junho a dezembro estava prevista uma assistência de 7 bilhões de pesos para os bancos, mas o novo programa estabelecerá somente 3,5 bilhões para emprestar aos bancos. A projeção do dólar será mantida entre 3,50 a 3,60 pesos. Os bancos terão que aportar cerca de 1,5 bilhão ante a proposta inicial de 3 bilhões de pesos.Qualquer medida em relação à abertura do "corralito" deverá levar em conta os amparos legais, chamados de "goteiras" por onde escapam os depósitos. Para resolver este problema, embora, momentaneamente, o presidente Eduardo Duhalde assinou um decreto de "necessidade e urgência" suspendendo por 120 dias as sentenças sobre recursos apresentados pelos depositantes contra o "corralito", o que lhe dá o tempo necessário para solucionar a questão. O decreto deverá ser publicado ainda hoje no Diário Oficial. O governo teria conseguido um acordo com a Justiça que, anteriormente, já considerou inconstitucional um decreto semelhante.Leia o especial

Agencia Estado,

24 de julho de 2002 | 08h16

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