Argentina quer endurecer relação com Brasil, diz o Clarín

O jornal Clarín estampou em sua capa de hoje, bem como em seu editorial, que o governo de Néstor Kirchner decidiu que "é hora de endurecer a relação com o Brasil". O chanceler Rafael Bielsa passou o fim de semana em Washington, reunido com os embaixadores mais representativos da Argentina, para analisar a agenda externa do país e a relação com o Brasil. "Kirchner está cansado das travas econômicas brasileiras, a falta de apoio à Argentina do governo brasileiro no FMI e também do protagonismo que o presidente Lula quer na Região", disse uma fonte diplomática ao Clarín. Segundo essa fonte, "até Condoleezza Rice brecou Lula quando disse que Estados Unidos não necessita de uma mediação do Brasil em sua relação com a Venezuela".O governo argentino já vinha bastante irritado com o brasileiro mas a gota d´água, foi "a iniciativa do Itamaraty de intermediar a crise equatoriana através da Confederação Sul-Americana de Nações (CSN), apesar de que esse é, segundo o governo de Kirchner, um trabalho que corresponde à OEA". Segundo jornal, Bielsa foi convidado pelo ministro Celso Amorim, para participar na missão da CSN como presidente pré-tempore do Grupo Rio, junto aos dois chanceleres do Peru e da Bolívia. Bielsa declinou do convite. No governo argentino, a criação da CSN é vista como uma ferramenta para que o Itamaraty avance no seu plano estratégico de tornar o Brasil no líder político na região. "Há um lugar na OMC, Brasil quer; há um lugar na ONU, Brasil quer; há um lugar na FAO, Brasil quer. Até quiseram eleger o Papa", teria dito o presidente Néstor Kirchner a seus assessores alguns dias atrás, como recorda o Clarín. Um diplomata também disse ao jornal que "as ambições do Brasil são desmesuradas".

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