Argentina quer prorrogar pagamento de dívida ao Bird e BID

A Argentina terá de pagar US$ 853 milhões de dólares ao Banco Mundial (Bird) e ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) no próximo mês. O número é do Ministério de Economia e diz respeito a parcelas de capital e de juros da dívida que o país mantém com os dois organismos. Este dinheiro deverá sair das minguadas reservas do Banco Central, como disse ontem a própria vice-diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional, Anne Krueguer, que a Argentina deveria usar suas reservas para honrar estes compromissos porque seria muito pior para o país ficar totalmente excluído da comunidade internacional, caso não pague os organismos multilaterais. No entanto, o ministro de Economia, Roberto Lavagna, deverá solicitar uma prorrogação por de 30 dias destes vencimentos, período máximo permitido pelos estatutos de ambos organismos. A estratégia é ganhar tempo para fechar um acordo com o Fundo Monetário Internacional, algo cada vez mais distante de ocorrer, depois da dura e objetiva entrevista de Anne Krueguer, na qual descartou qualquer possibilidade de um acordo a curto prazo. O máximo que o governo poderá conseguir seria um mini-acordo transitório para ir prorrogando os vencimentos das dívidas que mantém com o FMI. Neste caso, tanto o BID como o Bird prorrogariam, automaticamente, os vencimentos da dívida argentina, concedendo novos créditos que cancelem os vencidos. Nas últimas semanas, o Banco Central conseguiu incrementar suas reservas de livre disponibilidade para cerca de US$ 9,5 bilhões de dólares, através dos negócios no mercado de câmbio. Estas operações permitiriam ao governo lançar mão de parte das reservas para pagar seus compromissos sem afetar o câmbio. A outra alternativa é não pagar e entrar em default com os organismos de crédito, o que seria uma sentença de morte definitiva da Argentina, como afirmou Anne Krueguer. No último trimestre deste ano, também vencem dívidas com o FMI no valor de US$ 1,921 bilhões, mas isso não seria tão problemático porque o organismo tem prorrogado os vencimentos. Em outubro, o país deverá pagar outra cifra de US$ 700 milhões ao Bird e ao BID.Leia o especial

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