finanças

E-Investidor: "Você não pode ser refém do seu salário, emprego ou empresa", diz Carol Paiffer

Argentina quer que Petrobrás invista mais

Interventor na YPF, ministro Julio de Vido se reúne com Lobão e Graça Foster e pede que investimentos da estatal quase dobre no país

EDUARDO RODRIGUES / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

21 de abril de 2012 | 03h06

Menos de uma semana após a intervenção nos ativos da petrolífera espanhola Repsol, o governo argentino enviou seu ministro do Planejamento e Investimentos Públicos, Julio de Vido, a Brasília para tranquilizar o governo brasileiro em relação às operações no país vizinho e pedir mais investimentos da Petrobrás. Apesar de sinalizar com novos aportes, a prioridade da companhia brasileira é garantir a exploração do pré-sal.

"Vim explicar as razões da decisão e a mudança na legislação. Teremos, de agora em diante, mais do que um grande negócio, o desafio de trabalharmos muito", declarou Vido após reunião com o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, e com a presidente da Petrobrás, Maria das Graças Foster.

Segundo o ministro argentino, que também foi nomeado interventor da companhia argentina YPF por 30 dias, a petrolífera, que teve 51% do capital expropriado da Repsol, em breve terá uma gestão profissionalizada, tornando-se sociedade anônima com controle estatal - na avaliação de Vido, "muito parecida com o exemplo da Petrobrás".

Lobão, por sua vez, reafirmou estar tranquilo em relação à segurança dos investimentos brasileiros na Argentina, enquanto, do outro lado da Esplanada, a presidente Dilma Rousseff também era questionada sobre a decisão do governo argentino. "Eu estou dizendo que o Brasil não interfere em assuntos internos de outros. De maneira alguma interferiremos, nem faremos juízos de valor", disse a presidente. Vido foi recebido por Dilma no fim da tarde de ontem.

Parceria. Vido chegou ao Brasil na noite de quinta-feira e jantou com o assessor especial internacional da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia. O assessor de Dilma insistiu que o clima da relação entre os dois países "não pode ser melhor".

Na entrevista concedida após o encontro com Lobão e Graça Foster, o ministro argentino disse que a YPF quer trabalhar em conjunto com a Petrobrás, mas negou qualquer movimento no sentido de a empresa brasileira comprar participação na petrolífera argentina, ocupando o espaço da Repsol. "Não pretendemos que a Petrobrás substitua ninguém, mas que aumente sua presença em todo o território argentino", completou.

A empresa brasileira tinha 12% do mercado argentino em 2003, mas hoje tem 8%. "Nós (governo argentino) e a companhia pensamos que essa participação pode chegar a 15%", disse Vido.

Mas Lobão declarou que a solicitação argentina não poderá ser alcançada no curto prazo. Segundo ele, os investimentos da Petrobrás no país vizinho em 2011 foram de US$ 500 milhões, com estimativa igual para este ano.

Lobão, no entanto, prometeu aumentar esse valor, ainda que a Petrobrás esteja em um processo de grande investimento para atender à demanda do pré-sal no Brasil. "Na medida em que pudermos, vamos atender ao pedido argentino", afirmou.

Devolução. Vido confirmou a informação antecipada ontem pelo Estado de que a presidente Cristina Kirchner estaria tentando com o governo da província de Neuquén uma alternativa para devolver à Petrobrás as licenças de exploração na região, cassadas no começo de abril. "Com a ajuda do governo federal, as duas partes podem achar uma saída virtuosa", disse o ministro argentino. / COLABOROU TÂNIA MONTEIRO e RAFAEL MORAES MOURA

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.