Argentina recebe hoje diretor gerente do FMI

O diretor gerente do Fundo Monetário Internacional, Hosrt Köhler, inicia hoje, a partir das 11h30 (horário de Brasília), uma visita de dois dias à Argentina, na qual deverá ficar definido se o país está em condições de negociar um acordo de longo prazo com o organismo. Em uma entrevista concedida aos jornais argentinos, antes de sua viagem, Köhler adiantou que não vai "pedir o impossível de um dia para o outro" mas citou a "fragmentação política" como a principal dificuldade para negociar ao enviar um recado aos governadores: "não há saída sem um marco fiscal que inclua fortemente as províncias". Köhler também disse que em sua visita à Argentina, quer mostrar que o "Fundo também tem rosto humano". Ele possui uma particular curiosidade por conhecer de perto o presidente Néstor Kirchner, já que que ouviu em seu discurso de posse os sinais de uma tendência que evoca a economia social do mercado. Além de conhecer Kirchner, Horst Köhler quer tratar de três questões concretas antes de abrir as portas para uma nova negociação. A primeira delas diz respeito às definições do governo sobre um programa econômico sustentável que, na avaliação dos técnicos do FMI, o ministro de Economia, Roberto Lavagna, não possui, fazendo com que a recuperação da economia não seja consistente.O segundo assunto que Horst Köhler quer discutir é se Néstor Kirchner tem o poder político para levar adiante o mencionado programa, após sua definição, bem como as reformas de fundo que se fazem necessárias. O número um do FMI quer saber se Kirchner terá o que faltou aos seus antecessores: compromisso e consenso político interno para aplicar medidas duras e impopulares. Por último, Köhler pedirá um caminho crescente de superávit fiscal dentro do plano sustentável, cujo principal objetivo será dar consistência à renegociação da dívida externa. Traduzindo claramente esta exigência, significa que a Argentina precisa elevar o superávit atual de 2,5% para 3,5% do PIB, o que equivale a um ajuste fiscal de 10,5 bilhões de pesos. O governo tem conseguido o superávit de 2,5% graças ao congelamento salarial e das aposentadorias do setor público, além de uma maior arrecadação provocada pela inflação e novos impostos, como os da exportação.Embora a missão de Horst Köhler seja a de exigir um plano econômico sustentável, também há uma orientação nova de seus sócios ao organismo para que não compliquem as negociações com a Argentina ao repetir erros do passado, os quais têm gerado severas críticas internacionais ao FMI. O próprio Köhler emitiu pareceres e prognósticos equivocados sobre a situação real da Argentina, no ano passado, e manteve, ao lado de sua segunda, Anne Krueger, uma dura oposição a um acordo com o organismo e o governo. A postura do presidente Néstor Kirchner, por sua vez, não será submissa a ouvir as exigências de Horst Köhler. Fontes da Casa Rosada informam que ele não só pedirá compreensão pela situação social do país, mas também uma prorrogação dos prazos para o cumprimento dos compromissos financeiros com o organismo.Entre setembro e dezembro deste ano, o país terá de pagar US$ 6,1 bilhões de dólares ao FMI, mas Kirchner não quer que estes compromissos sufoquem a economia local e dirá que antes de voltar a pagar dívidas, o país precisa de sustentabilidade interna, sem a qual a Argentina jamais voltará a ser confiável não só para os credores mas para o mundo. Porém, a primeira mensagem que Köhler enviou à Kircher antes de embarcar, durante sua entrevista aos correspondentes argentinos em Washington, no fim de semana, foi de que "o modelo a seguir é Lula". "Pensamos que a combinação de uma economia de mercado mais a atenção da equidade social é o formato correto para um futuro melhor. Isto está demonstrado agora em Brasil, através do presidente Lula. Creio que isto também poderia ser uma fórmula para a Argentina", disse.O primeiro encontro entre Kirchner e Köhler será nesta noite, durante um jantar na residência oficial da Quinta de Olivos. E amanhã terão uma reunião de trabalho, na Casa Rosada, da qual participará o ministro Roberto Lavagna, o chefe de Gabinete da Presidência, Alberto Fernández, e alguns outros ministros.

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