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Argentina recusou todas as propostas e optou por dar calote, diz principal fundo credor

Segundo fundo NML Capital, muitas propostas 'criativas' foram apresentadas pelo mediador, mas a Argentina recusou 'considerar seriamente' todas elas

Altamiro Silva Júnior, Agência Estado

31 de julho de 2014 | 07h04

NOVA YORK - A Argentina recusou todas as propostas apresentadas no processo de negociação sobre sua dívida e escolheu dar o calote, afirma um comunicado do NML Capital, fundo do bilionário de Wall Street, Paul Singer, e o que mais tinha recursos a receber da Casa Rosada, conforme a sentença da Suprema Corte dos Estados Unidos. 

"Aceitamos muitas das propostas criativas apresentadas pelo mediador", afirma o porta-voz do NML no comunicado enviado na madrugada desta quinta-feira, acusando a Argentina de ter recusado de "considerar seriamente" todas elas. 

O mediador em questão é o advogado Daniel Pollack, designado pelo juiz federal Thomas Griesa para cuidar das negociações entre a Argentina e os credores norte-americanos. Ontem venceu o prazo para a Argentina pagar US$ 1,3 bilhão a estes fundos. Só o NML teria cerca de US$ 800 milhões a receber.

Pollack e o NML afirmam que a Argentina entrou em default desde a tarde da quarta-feira, 30, mas o país não reconhece o calote, segundo declarações do ministro da Economia, Axel Kicillof, dadas no início da noite ainda na quarta-feira. "Calote é quando não se paga e a Argentina paga e vai continuar pagando", afirmou a jornalistas, ressaltando que o país depositou US$ 830 milhões no final do mês de junho para pagar os credores que aderiram às reestruturações da dívida de 2005 e 2010, mas Griesa impediu que os bancos repassassem o pagamento aos fundos. Além disso, depositou recentemente US$ 650 milhões para pagar dívidas ao Clube de Paris, disse o ministro.

A agência de classificação de risco Standard & Poor's rebaixou o rating soberano da Argentina de CCC- para "default seletivo", argumentando que o país foi inadimplente em algumas de suas obrigações, já que nesta quarta-feira venceu o prazo para que o governo argentino pagasse os juros no valor de US$ 539 milhões, referentes aos bônus discount que vencem em dezembro de 2033. 

Bancos. No início da noite da quarta-feira, se falava da possibilidade de bancos privados argentinos assumirem a dívida dos fundos norte-americanos, por meio de uma operação de compra de títulos e, assim, evitar o calote. O próprio Kicillof destacou esta possibilidade na entrevista à imprensa. Com isso, as negociações passariam a ser entre os argentinos e estes bancos, mas rumores no final da noite davam conta de que as conversas não avançaram. 

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