Argentina reduz barreiras com o Brasil

Entrada de produtos brasileiros começa a repercutir na balança comercial entre os dois países: até 26 de julho, vendas ao país vizinho cresceram 5,7%

RAQUEL LANDIM, O Estado de S.Paulo

28 de julho de 2012 | 03h09

Os argentinos estão acelerando a entrada de produtos brasileiros em seu território, conforme o acordo informal entre Brasil e Argentina, selado na reunião de cúpula do Mercosul, em Mendoza, no fim de junho. A redução das barreiras já começa a beneficiar a balança comercial, embora o impacto ainda seja modesto.

O Brasil exportou US$ 1,315 bilhão para a Argentina entre os dias 1.º e 26 de julho, o que significa um aumento de 5,7% em relação a junho, comparando as médias diárias embarcadas, segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento. Em relação a julho do ano passado, as vendas caíram 28,7%.

"Houve avanços significativos no último mês, mas não estamos confortáveis com a situação. O controle é diário", disse ao Estado a secretária de Comércio Exterior, Tatiana Prazeres. "O importante é recuperar as vendas em relação ao primeiro semestre. Reverter a queda comparado com o ano passado não depende só da boa vontade dos dois países. Este é um ano difícil para o comércio exterior."

A Argentina é um importante cliente de produtos manufaturados feitos no Brasil. Por causa das barreiras adotadas pelo país, que passou a exigir autorização prévia e licenças não automáticas para importações, as vendas de produtos brasileiros minguaram, prejudicando ainda mais o superávit da balança comercial, que já sofre com a crise global.

No primeiro semestre em relação a janeiro a junho de 2011, as exportações brasileiras para a Argentina caíram 15,3%, para US$ 8,83 bilhões. O governo brasileiro reagiu às barreiras do vizinho, burocratizando a entrada de produtos perecíveis e automóveis. As exportações da Argentina para o Brasil recuaram 7,8% no período, para US$ 7,36 bilhões.

Os dois países concordaram em reduzir as barreiras no encontro de Mendoza, no fim de junho, após negociações entre Tatiana e a secretária de Comércio Exterior da Argentina, Beatriz Paglieri. Desde então, as duas já tiveram duas reuniões para monitorar a liberação de produtos de ambos os lados.

Setores. Três setores estão entre os mais beneficiados pela "boa vontade" dos argentinos: autopeças, calçados e carne suína. De acordo com dados da Secex, as exportações de calçados para a Argentina cresceram 107,7% em julho (até o dia 26) em relação a junho pelo critério da média diária e 30,5% em relação a julho de 2011.

"Houve um bom volume de liberações de licenças de importação nas últimas semanas, mas ainda precisamos acelerar mais esse processo", afirmou Heitor Klein, diretor executivo da Associação Brasileira da Indústria de Calçados (Abicalçados). Segundo ele, o estoque de calçados brasileiros à espera de autorização para entrar na Argentina caiu de 2 milhões de pares para 600 mil.

No setor automotivo, o fluxo de autopeças entre os dois países é praticamente normal para abastecer as linhas de produção das montadoras, mas havia muitos problemas para a entrada de produtos destinados ao mercado de reposição. Em julho (até o dia 26), as exportações brasileiras de autopeças para a Argentina cresceram 11,4% em relação a junho, mas ainda seguem 16,1% abaixo de julho de 2011.

"Houve uma liberação substancial de tudo o que estava parado. Resolvemos o passado. Agora começam novas discussões", disse Antonio Carlos Meduna, principal negociador do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças). O setor inicia no próximo mês as negociações do novo acordo automotivo entre Brasil e Argentina.

Os embarques de carne suína, que haviam sido paralisados pela Argentina, foram retomados. Em relação a junho, as exportações brasileiras para o vizinho cresceram 393%, mas ainda estão 3,8% abaixo de julho de 2011.

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