Argentina refuta críticas por relações comerciais com Brasil

O secretário de Relações Econômicas Internacionais da Argentina, Alfredo Chiaradía, considerou "inapropriada" a série de críticas relativas ao déficit comercial do país com o Brasil, que já dura 34 meses.Ele disse, em coluna publicada nesta terça-feira pelo jornal Clarín, que as críticas são baseadas "em dados de curto prazo", e ressaltou que "não é sustentável" que a balança comercial de um país "seja superavitária com cada um de seus parceiros"."Registrar déficit com alguns países e superávit com outros é um fato normal e previsível dos intercâmbios", afirmou, após defender o Mercosul - bloco comercial do qual a Argentina faz parte ao lado de Brasil, Paraguai e Uruguai.Déficit acumulado No primeiro trimestre de 2006, a Argentina acumulou um déficit com o Brasil de US$ 859 milhões, com uma média mensal de US$ 286 milhões, 32,2% a mais do que o do mesmo período de 2005, segundo dados de consultoras privadas locais.No entanto, Chiaradía destacou que "o relevante" é que a Argentina obteve entre 2000 e 2005 um superávit de US$ 65 bilhões em sua balança comercial com o mundo todo, e que nos últimos três anos o saldo positivo foi acompanhado por "altíssimas taxas" de crescimento econômico.Também destacou que entre 1985 e 2005 os intercâmbios entre Argentina e Brasil aumentaram 1.344%, contra 361% no caso do país com o resto do mundo. Esses números mostram que, por cada dólar que as exportações argentinas para o resto do mundo cresceram, as destinadas ao Brasil aumentaram 3,6 dólares.Mudança favorável O secretário disse que a "mudança" favorável ao Brasil no comércio bilateral deve-se "ao dinamismo da economia argentina e ao processo de integração do Mercosul".Neste sentido, afirmou que as empresas do Brasil "deslocaram" as de outros países fornecedores da Argentina, que, junto a seu crescimento econômico, aumentou também as compras de matérias-primas brasileiras.Além disso, lembrou que a Argentina tem "uma estrutura deficitária" no comércio de manufaturas industriais. Por isso "foi acordado" com o Brasil "um mecanismo para facilitar a adaptação competitiva, a integração produtiva e a expansão do comércio"."A Argentina está fazendo bom uso da plataforma que o Brasil e o Mercosul lhe oferecem para fortalecer sua estrutura produtiva e projetar-se a terceiros mercados", garantiu.

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