Argentina renova crédito subsidiado para empresas

Governo obriga bancos a emprestar cobrando 15% de juros por ano, porcentual muito inferior aos 25% de inflação

MARINA GUIMARÃES, CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

20 de dezembro de 2012 | 02h03

A presidente argentina, Cristina Kirchner, renovou para 2013 a obrigatoriedade dos bancos locais de emprestar 5% dos depósitos às empresas com taxas de juros de 15% anuais.

A linha obrigatória de financiamento para micro, pequenas, médias e grandes empresas foi imposta em meados deste ano e colocou à disposição do setor produtivo cerca de 15,6 bilhões de pesos (US$ 3,21 bilhões), com taxas abaixo da inflação extraoficial de 25%, estimada pelos institutos privados.

Para o próximo ano, o volume chegará a cerca de 17,008 bilhões de pesos (US$ 3,510 bilhões pelo câmbio oficial de 4,845 pesos). "Vamos renovar a solicitação aos bancos para que emprestem novamente 5% de seus depósitos", anunciou a presidente, durante discurso na noite de terça-feira.

Contrariado. A medida desagrada ao setor financeiro, pois as taxas exigidas provocam perda da margem de lucro dos bancos. Recentemente, o presidente da Associação de Bancos da Argentina (ABA), Claudio Cesario, comentou que a taxa para captação de recursos está acima de 15%.

Do montante determinado para emprestar em 2012, os bancos cumpriram 91%, informou a presidente. Dos 15,6 bilhões de pesos já emprestados, 47,6% foram destinados às grandes empresas e 52,4% às pequenas e médias.

Um alto executivo de um banco brasileiro na Argentina comentou que "esse porcentual obrigatório para empréstimos com taxas inferiores às praticadas pelo mercado não são significativas no balanço e nas operações dos bancos". Segundo ele, "os bancos podem cumprir a exigência sem nenhum problema porque há muita liquidez".

Um executivo argentino concordou com o brasileiro, mas disse que o cumprimento só ocorreu porque houve pressão do governo. "Nenhuma empresa ou banco quer perder rentabilidade, mesmo que seja pequena."

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