Argentina responde ao FMI e enfrenta panelaço

?Não necessitamos que ninguém diga a nós, os argentinos, como temos que sofrer.? Esta foi a resposta do governo do presidente Eduardo Duhalde ao diretor-gerente do FMI, Horst Köhler, que advertira o governo dizendo que ?não há êxito sem sofrimento?.Ao comentar a entrevista de Köhler ao jornal francês Le Monde, o chefe de gabinete da Presidência, Jorge Capitanich, afirmou que os argentinos já sabem o que é o sofrimento nestes quatro anos de recessão.No bairro de Palermo, um dos mais tradicionais e típicos da classe média de Buenos Aires, moradores realizam um panelaço contra o corralito e a nova flexibilização, que deveria entrar em vigor hoje. Conforme a norma do Banco Central emitida ontem à noite, os depositantes poderiam pesificar até US$ 5 mil das contas em dólares pela cotação oficial de 1,40 peso.Com esta conversão, os depositantes poderão dispor deste dinheiro para comprar bens duráveis e não duráveis com cheque. Na pesificação, também se permitiria ao depositante sacar 500 dólares em pesos a 1,40. Porém, os bancos não estão realizando estas operações, alegando ?falta de tempo para adequar os sistemas? de transferências, compensações e todas as informações referentes às contas e aplicações.Segundo o gerente-geral do banco Credicoop, Carlos Heller, as circulares do Banco Central sobre as mudanças e as novas regras têm sido divulgadas muito tarde. ?Eu tenho deixado técnicos de plantão até tarde da noite para tentar adequar o sistema com a maior rapidez, mas é impossível mudar todo o sistema da noite para o dia?, justificou à Agência Estado.Ele explicou ainda que o ?sistema de bancos é algo muito complicado e eu nem mesmo o entendo totalmente, o que posso te dizer é que eu tenho pedido ao Banco Central que nos remeta as circulares com, pelo menos, 24 horas de antecedência, mas tem sido inútil?, disse.O panelaço de Palermo é uma mostra do que ocorrerá nesta sexta-feira, quando os moradores de todos os bairros da capital federal convocam um panelaço geral para o início da noite.Leia o especial

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