Argentina responde com dureza a críticas da Petrobras

O ministro do Planejamento argentino, Julio De Vido, disse nesta quarta-feira, 21, que está "muito chateado" com as declarações "inapropriadas" do presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, que criticam a política do país no setor de hidrocarbonetos."Não vamos permitir que o presidente de uma empresa estrangeira, que neste caso é do Estado brasileiro, venha opinar sobre as políticas soberanas que a Argentina aplica", advertiu em declarações à emissora Radio 10, de Buenos Aires.O ministro ressaltou que se a Petrobras "não fizer os investimentos necessários, será seriamente afetada em seus contratos" para a exploração de hidrocarbonetos na Argentina.De Vido reagiu assim depois de Gabrielli afirmar que o congelamento dos preços dos combustíveis na Argentina "não estimula muitos investimentos", entre outras opiniões manifestadas pelo presidente da Petrobras em um seminário realizado na terça-feira, 20, no Rio e citadas pela imprensa local.O presidente da Petrobras apontou, além disso, que vê "com certa preocupação a situação das reservas de gás e petróleo" na Argentina, que estão "em declínio", o que significa que a empresa precisa "intensificar as atividades de exploração" no país.De Vido destacou que as declarações de Gabrielli "são absolutamente inapropriadas para uma empresa que é concessionária na Argentina" e considerou que buscam "condicionar" a política oficial no setor dos hidrocarbonetos.O ministro argentino insistiu que exigirá que a companhia petrolífera brasileira "cumpra com todo o rigor os investimentos que tem (que realizar) por obrigação".Além disso, De Vido assegurou que "não existe" a escassez de recursos energéticos mencionada por Gabrielli."De maneira nenhuma, nós iríamos ao Brasil sugerir que o presidente Lula tenha uma determinada política de preços", afirmou.A Argentina é a principal fonte de receita externa da Petrobras, que em 2003 comprou as operações da argentina Pecom Energía, que passou a se chamar Petrobras Energía.A companhia brasileira, a segunda maior petrolífera da Argentina, atrás apenas da hispano-argentina Repsol YPF, tem acordos de associação com a estatal Enarsa para a busca e exploração de hidrocarbonetos na plataforma marítima argentina, entre outros negócios.

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