Argentina responde crítica dos EUA e defende ação na OMC

Declaração marca mais um episódio na crescente tensão entre os dois países, que se acusam mutuamente de implementar barreiras comerciais

Marina Guimarães, correspondente,

23 de agosto de 2012 | 17h01

BUENOS AIRES - O Ministério de Relações Exteriores da Argentina voltou a responder críticas feitas pelos Estados Unidos e acusou novamente o país de adotar medidas protecionistas. A declaração marca mais um episódio na crescente tensão entre os dois países, que se acusam mutuamente de implementar barreiras comerciais, em uma disputa que chegou esta semana à Organização Mundial do Comércio (OMC).

"Diante da manifestação de surpresa do governo dos EUA pela decisão argentina de levar à OMC as barreiras comerciais que impedem a entrada de carnes, limões e outros cítricos ao mercado desse país, a chancelaria argentina informa que, depois de solicitar, sem êxito, durante quase uma década, que esse país complete as análises fitossanitárias necessárias para ter acesso ao mercado mencionado, é evidente que as barreiras impostas aos produtos argentinos são parte uma política protecionista inconsistente com as normas da OMC", afirma o ministério em comunicado oficial.

O governo argentino detalhou que os EUA destinam "cerca de US$ 120 bilhões anuais para subsidiar diretamente seu setor agrícola". Esta transferência de recursos, segundo a nota, impede o desenvolvimento de um comércio mundial mais equilibrado e justo. "As próprias estatísticas da OMC mostram que o governo dos EUA foi destinatário de uma em cada quatro controvérsias por barreiras comerciais propostas pelos países membros da OMC perante seu Tribunal de Solução de Controvérsias", diz o comunicado. A chancelaria acrescenta que, diante dessa situação, o governo de Cristina Kirchner reitera sua "férrea decisão de continuar com sua política de desenvolvimento e geração de emprego".

Ontem, o porta-voz do Representante de Comércio dos EUA, Nkenge Harmon, disse que seu país "está surpreso e decepcionado pela reação da Argentina" de apresentar denúncia à OMC pelo fato de os norte-americanos vetarem a importação de carnes e limões argentinos. "Parece ser parte de uma tendência inquietante na qual os países executam ações que são inconsistentes com suas obrigações perante a OMC", disse Harmon. Segundo ele, "mais que uma reação no sentido de solucionar as coisas, parece ser uma represália".

A relação entre Buenos Aires e Washington voltou a ficar tensa após a decisão dos EUA e do Japão, na terça-feira, de denunciar a política comercial da Argentina de exigir licença generalizada para as importações. Ambos os governos consideram que as restrições comerciais argentinas "violam as normas da OMC". A UE já havia apresentado denúncia similar contra o governo de Cristina.

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