Argentina restringe móveis brasileiros

Setor moveleiro do país impõe redução de 35% na exportação de móveis brasileiros, em relação a 2008

Ariel Palacios, BUENOS AIRES, O Estadao de S.Paulo

05 de junho de 2009 | 00h00

O setor moveleiro argentino, respaldado pelo governo da presidente Cristina Kirchner, conseguiu impor aos empresários brasileiros uma redução de 35% nas exportações à Argentina, em relação ao volume vendido em 2008. A porcentagem foi definida após dez horas e meia de discussões em Buenos Aires, durante as quais os empresários moveleiros argentinos tentaram levar a restrição aos móveis brasileiros a mais de 40% do total do ano passado, entre outras exigências que indignaram os produtores brasileiros. O acordo foi assinado ontem, na sede da Secretaria de Indústria e Comércio, cenário onde hoje transcorrerão as duras negociações dos representantes dos setores brasileiros e argentinos de calçados (setor que acumula uma década de barreiras argentinas contra os calçados brasileiros), laticínios, linha branca, além de freios e embreagens. Tudo indica que o setor de calçados também será forçado a reduzir suas vendas ao mercado argentino. Os industriais argentinos e o governo Cristina afirmam que a Argentina sofre uma "invasão" de produtos brasileiros. E dizem que, em meio à crise internacional, as empresas locais precisam ser protegidas das "assimetrias" em relação às brasileiras. As barreiras argentinas - um amplo leque que abrange licenças não automáticas, cotas, valores-critério, medidas antidumping, entre outras - atingem 14% das exportações brasileiras ao país.O governo Cristina costuma apresentar esses acordos entre empresários dos dois lados da fronteira como uma autolimitação "voluntária" dos fabricantes brasileiros. Recentemente, o setor de baterias teve de aceitar reduzir de 1,2 milhão para 840 mil o número de baterias vendidas à Argentina do ano passado para este. Em 2008, o Brasil exportou US$ 155 milhões em móveis de todos os tipos para a Argentina. Mas, em móveis de madeira, as vendas chegaram a US$ 41 milhões. Porém, entre janeiro e março, o Brasil só pôde vender US$ 16,5 milhões em móveis de todos os tipos. "A partir de março travou tudo", lamentou o presidente da Abimóvel, José Luiz Diaz Fernandez. "Os envios para a Argentina zeraram completamente!" O acordo sobre os móveis é válido neste ano. "Em dezembro, quando sentaremos para conversar, espero que os argentinos aceitem o livre comércio para 2010. Seria absurdo que pedissem novas restrições."Durante as reuniões em Buenos Aires, os empresários argentinos tentaram prolongar as negociações e chegaram a exigir que todo envio de móveis de madeira passasse antes por um trâmite nos consulados argentinos no Brasil. Os empresários brasileiros deixaram claro que não aceitariam mais complicações. "A coisa ia se prolongar muito mais. Eu disse que não ia embora sem um acordo. Este acordo é daqueles que podem ser classificados de ?dos males o menor?", disse Diaz Fernandez.Desde o início do segundo semestre do ano passado, a presidente Cristina iniciou uma nova onda de medidas protecionistas. Embora as medidas sejam aplicadas de forma genérica a todos os países, os principais afetados são os produtos brasileiros, já que o Brasil é o maior fornecedor de produtos industrializados à Argentina.NÚMEROSUS$ 41 milhõesfoi o valor das exportaçõesbrasileiras de móveis de madeira para a Argentina no ano passadoUS$ 16,5 milhõesfoi quanto a indústria brasileira vendeu em móveis de madeira para a Argentina entre janeiro e março deste ano35% foi o índicede redução exigida pelos argentinos para as exportações brasileiras de móveis em relação ao valor exportado em 2008

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.