Argentina só dialoga com ruralistas após fim do locaute

O governo da presidente Cristina Kirchner deixou claro hoje que não aceitará sentar-se à mesa de negociações com as lideranças do setor agropecuário enquanto estas não suspenderem o locaute que realizam há nove dias."Estamos dispostos a dialogar, mas não com uma paralisação. Se o locaute for suspenso, sentaremos para dialogar", afirmou categórico o ministro do Interior, Florencio Randazzo. O impasse promete prolongar-se por tempo indeterminado, já que as lideranças das quatro associações agropecuárias que realizam a paralisação - a Sociedade Rural, Federação Agrária, a Confederações Rurais Argentinas (CRA) e a Coninagro - sustentam que só suspenderão o locaute quando o governo der sinais claros de que pretende atender suas reivindicações.Hoje as lideranças da oposição anunciaram seu respaldo ao setor agropecuário. Os líderes opositores também convocaram os parlamentares a votar, nos próximos dias, a revogação dos aumentos dos impostos aplicados às exportações agropecuárias, principal motivo do conflito rural.A deputada Margarita Stolbitzer, uma das líderes da União Cívica Radical (UCR) afirmou que o governo Cristina "não fez um convite honesto ao diálogo". Ela também alertou para os efeitos colaterais da crise entre a presidente Cristina e os produtores agropecuários: "Está ocorrendo um aumento do desemprego, corridas financeiras e fechamento de comércios". Segundo ela, os impostos aplicados às exportações agrícolas "são arbitrários, inconsistentes, injustificados".LeiAs lideranças ruralistas anunciaram que pretendem reunir nas próximas semanas um milhão de assinaturas para solicitar uma lei que determine que o Congresso Nacional passe a fixar os impostos federais. Há vários anos, por causa da lei de emergência econômica (mais conhecida como a lei de "superpoderes"), o governo conta com poderes totais para aplicar e remover impostos.

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