Argentina tem demissões em massa

Levantamento da consultoria Mercer mostra que 33% das maiores companhias do país começaram a cortar pessoal para baixar custos

ARIEL PALACIOS, O Estado de S.Paulo

25 de setembro de 2014 | 02h04

BUENOS AIRES - Uma pesquisa elaborada pela consultoria Mercer indicou que, afetadas pela crise, 33% das 165 principais empresas instaladas na Argentina admitiram que estão demitindo funcionários. Do total, 24% afirmam que já cortaram horas extras, enquanto 18% começaram a aplicar planos de aposentadorias antecipadas.

O motivo das demissões, segundo as empresas, é que não existe trabalho suficiente. Além disso, alegam questões de baixa lucratividade no contexto de recessão que afeta o país. "Neste cenário de estagflação, se a economia não cresce, as vendas e a receita das empresas tampouco cresce, e neste contexto, reconsideram a mão de obra".

Outra pesquisa, da SEL Consultores, indica que os empresários consideram que a crise continuará em 2015, ano de eleições presidenciais, de parlamentares e de governadores das províncias. Do total de empresas pesquisadas, 17% afirmam que demitirão no ano que vem.

Um dos sinais da crise é a queda de 20% nas importações do país em agosto, em comparação com o mesmo mês de 2013, segundo o Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec).

Culpa. O vice-ministro da Economia, Emmanuel Alvarez Agis, declarou que a culpa do esfriamento da economia na Argentina é "do mundo" e não do governo Kirchner. "Esta situação internacional coloca significativos desafios à política econômica argentina", afirmou Agis em sabatina na comissão de orçamento na Câmara de Deputados.

Ontem o governo acrescentou outro integrante das personalidades e entidades internacionais que supostamente "conspiram" contra a presidente Cristina Kirchner: o ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schäuble, que havia declarado que a Argentina é "um exemplo de falta de solidez".

Segundo ele, "a Argentina viveu durante décadas acima de suas possibilidades, não paga suas dívidas e por isso está cada vez mais isolada do tráfego internacional de pagamentos".

O chefe do gabinete de ministros, Jorge Capitanich, reagiu irritado às declarações de Schäuble, afirmando que o governo da primeira-ministra alemã Angela Merkel "sempre foi hostil" com a Argentina.

Nos últimos dois meses o governo Kirchner também acusou de tramar manobras contra a Argentina a companhia American Airlines, o encarregado de negócios da embaixada americana em Buenos Aires, o juiz federal de Nova York Thomas Griesa e os credores dos títulos da dívida pública que não aceitaram as reestruturações dos bônus. No sábado, a presidente Cristina também acusou o Estado Islâmico, que, segundo declarou, a ameaçou de morte.

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