Argentina tem dificuldade para segurar o dólar

O governo argentino tenta mas não consegue vencer a alta do dólar. A moeda fechou em 2,47 (venda) e 2,37(compra) à custa da venda de mais US$ 73 milhões das reservas do Banco Central a 2,32 pesos. Em algumas casas de câmbio, a cotação já passa dos 2,50 pesos. Desde o dia 11 de janeiro, data da abertura do mercado de câmbio com o peso desvalorizado, o BC já queimou US$ 1.045,8 bilhão de suas reservas para acalmar a forte demanda pela divisa norte-americana, segundo estimativas do mercado. A maior intervenção do BC foi a partir de 11 de fevereiro, quando o câmbio começou a ser flutuante e, de lá pra cá, já foram consumidos US$ 625 milhões. Neste período, a cotação do dólar não chegou a menos de 1,70, teve alguns estabilizada entre 2 e 2,15 pesos mas nas últimas semanas a tendência de alta tornou-se implacável. Até a última sexta-feira, as reservas somavam US$ 13.364 bilhões.FMIO governo está apostando no acordo com o Fundo Monetário Internacional para conseguir frear o dólar. Tanto o presidente Eduardo Duhalde quanto o presidente do BC, Mario Blejer, acreditam que após o acordo a moeda vai cair abaixo de dois pesos. Porém, Blejer admite que terá de buscar um ?plano B? para o caso de o acordo não sair porque sua política de intervenção foi desenhada pensando-se na participação do FMI. De qualquer forma, o BC está decidido a continuar sua intervenção para evitar que uma alta dispare a inflação. O assunto foi discutido pela equipe econômica ontem e até o presidente Eduardo Duhalde fez um apelo direto aos representantes dos bancos para que ajudem o governo nesta empreitada. Duhalde pediu que eles aceitem a determinação do BC de vender seu excedente de dólares acima de 5% de seu patrimônio. Mas os banqueiros querem subir este porcentual para 10% ou 15%. Todas as entidades já estão operando normalmente, exceto o banco de Santiado del Estero que ainda não informou seu patrimônio ao BC.PerspectivasOs analistas ouvidos pela Agência Estado não têm boas perspectiva porque sem um "plano fiscal coerente e sério não haverá credibilidade e qualquer medida além deste será apenas um acessório que pode enfeitar mas não resolve o problema", como afirma o economista chefe da Fiel-Fundação de Investigações Econômicas Latino-americanas, Daniel Artana. Ele explica que as medidas adotadas pelo BC para obrigar os bancos a colocarem seus dólares no mercado e limitá-los em suas compras, evitam a especulação com a moeda mas não toca no principal ponto: políticas fiscal e monetária sustentáveis. "Nenhuma destas está definida e, além disso, será preciso o acordo com o FMI para sustentá-las, caso contrário, as perspectivas são mesmo negativas", destacou. Leonardo Chialva, da Delphos Investiment, considera que o fato do BC ter queimado mais de US$ 1 bi, mesmo sem ter conseguido frear o dólar, não é tão ruim, "o que é negativo é manter este ritmo porque é insustentável". Ele diz que "sem a ajuda financeira do FMI, as reservas serão queimadas à toa porque o dólar não vai baixar".BC consegue colocar letrasO Banco Central continua sua estratégia de colocar letras no mercado e no seu terceiro leilão, realizado ontem, colocou $49,91 milhões de papéis em pesos e outros US$ 24,80 milhões em dólares ( 57,47 milhões em pesos pelo câmbio de referência do BC de 2,3175 pesos) ambos com prazo de sete dias. Com isso, tirou de circulação $107,38 milhões de pesos que poderiam ter pressionado ainda mais o câmbio. Finalmente, o BC conseguiu colocar os papéis indexados em dólares que tinham sido suspensos no primeiro leilão, e no segundo não receberam ofertas. A taxa de juros para as letras indexadas em dólares ficou em 4,75%, enquanto que em pesos, os juros baixaram, um pouquinho só, dos 35% dos leilões anteriores para 34,92%.Leia o especial

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