Horst Wagner/EFE
Horst Wagner/EFE

Argentina tem menor inflação mensal em 10 anos

Índice de 0,2% deve-se ao bloqueio judicial ao tarifaço de gás, mas também mostra uma tendência de queda, o que é um alento para o governo Macri, criticado por alta acumulada superior a 40% nos últimos 12 meses

Rodrigo Cavalheiro, correspondente, O Estado de S.Paulo

13 Setembro 2016 | 20h08

BUENOS AIRES, ARGENTINA - A Argentina registrou uma inflação de 0,2% em agosto, o menor índice em uma década, informou nesta terça-feira, 13, o Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec). A notícia é um alento para o governo de Mauricio Macri, criticado por uma alta acumulada superior a 40% nos últimos 12 meses.

O Indec, organismo que deixou de difundir um levantamento de preços confiável durante o kirchnerismo e voltou a fazê-lo no mês passado, alertou que o dado de agosto é excepcionalmente baixo em razão do bloqueio judicial ao reajuste do gás. 

Em 18 de agosto, a Corte Suprema vetou um aumento para residências que o governo pretendia limitar a 400%. O tribunal determinou que seja feita uma audiência pública, marcada para esta sexta-feira, 16. A Casa Rosada sinalizou com um reajuste de 203%, com subidas posteriores graduais.

"A inflação estrutural está baixando pela ação do Banco Central no controle da emissão, em função das expectativas que melhoraram. Claro que nesse número de agosto deve ser levado em conta o tema das tarifas de gás, cujo aumento foi revertido na Justiça. Nos próximos meses há uma tendência de que o índice aumente, mas o importante é que a inflação núcleo seguirá em queda", avalia Marcelo Elizondo, economista da consultoria DNI.

Segundo o Indec, sem a decisão judicial sobre o preço da energia a medição teria ficado em 0,9%. De qualquer forma, a redução levou integrantes do governo a fazer um desabafo. O ministro da Fazenda, Alfonso Prat-Gay, que colocou como meta no início do ano um índice de 25%, disse que a inflação já não era o principal tema. Se o cálculo mensal se mantiver neste nível, a meta poderia ser atingida no decorrer do próximo ano. 

O presidente Mauricio Macri, cobrado pela promessa de que no segundo semestre os indicadores econômicos melhorariam, manifestou-se ontem durante um fórum para atrair investimentos. "Todos sabemos que as tarifas (de gás) caíram, mas voltarão a subir. A inflação oscilará em torno de 1,5% até chegar em alguns anos a um dígito anual", previu. O FMI prevê uma retração de 1,5% no PIB este ano e crescimento de 2,8% para 2017.

A área com maior inflação em agosto foi a de "atenção médica", com 3,1%. Os planos de saúde privados acumulam reajuste de 43% no ano. A queda mais relevante foi em "habitação e serviços básicos", de 5,6%.

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