Argentina tem menor plantio de trigo em 40 anos

O plantio de trigo na Argentina - o sexto maior produtor global do cereal - será o menor dos últimos 40 anos, segundo informou a Bolsa de Comércio de Rosário, o principal porto de escoamento de cereais do país. A área plantada abrangerá somente 3,8 milhões de hectares, o equivalente a 17,4% a menos que no período 2011/12. Mas, o Ministério da Agricultura sustenta que a queda será menor do que foi calculada em Rosário (13,6%).

ARIEL PALACIOS , CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES , O Estado de S.Paulo

21 de junho de 2012 | 03h01

O motivo dessa queda não é climático - já que nessa área as condições são as melhores da última década - mas as barreiras comerciais aplicadas pelo governo da presidente Cristina Kirchner. Os produtores agrícolas argentinos são obrigados a pagar elevados impostos para as exportações, além de sofrer frequentes imposições de cotas para exportar. As pressões da presidente Cristina sobre os agricultores foram o estopim de diversos locautes ruralistas nos últimos anos.

A política do governo Kirchner, desde 2006, é a de redirecionar para o mercado interno parte do volume do trigo que era antigamente exportado. O objetivo da presidente Cristina era tentar brecar a alta da inflação, que cresce há seis anos.

As pressões desestimularam os produtores de trigo. Parte dos agricultores deixou o cultivo desse cereal e concentrou-se no plantio de forragens para gado, cevada, além da colza.

Para tentar seduzir os produtores a plantar trigo novamente, o governo argentino anunciou que autorizaria a exportação de 6 milhões de toneladas de trigo da safra 2012/13.

"Levando em conta as expectativas que existem até esta data, a presidente Cristina Kirchner tomou a decisão de liberar os direitos de exportação para a safra 2012/13 para 6 milhões de toneladas", declarou o vice-presidente Amado Boudou, que está exercendo a presidência interina do país durante as viagens de Cristina. No entanto, os analistas sustentam que o interesse do governo Kirchner é o de abocanhar US$ 360 milhões em impostos decorrentes da entrada de US$ 1,5 bilhão que entrariam no país graças às exportações de trigo.

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