Argentina tem novo cenário econômico

Feriado bancário e cambial, hoje e amanhã; flutuação do câmbio a partir de quarta-feira; pesificação dos créditos bancários e não bancários em um por um (um dólar = um peso); o começo do fim do "corralito"; e, por fim, um novo plano Bonex. Este é o cenário da Argentina que inicia a semana num contexto totalmente diferente daquele vivido nos últimos 30 dias, quando assumiu o presidente Eduardo Duhalde. As novas medidas econômicas anunciadas ontem à noite pelo ministro de Economia, Jorge Remes Lenicov, incluem ainda a liberação total do "corralito" para os salários, aposentadorias e indenizações por demissão e acidentes de trabalho.Estas mudanças ficariam de fora da sentença da Suprema Corte de Justiça que julgou o "corralito" inconstitucional e abriu as portas para que todas as demandas iniciadas contra a medida recebam parecer similar, derrubando o congelamento dos depósitos, pouco a pouco. O governo, no entanto, confirma o cronograma de devolução dos depósitos que só terminará em 2005.Medidas valem a partir de quarta-feiraAs novas medidas alcançaram os contratos particulares que passarão a ser pesificados, enquanto que os créditos garantidos em dólares da troca da dívida pública, ocorrida no ano passado, serão pesificadas em 1,40, assim como os depósitos em dólares. As medidas estão sendo publicadas hoje no Diário Oficial e todas passarão a valer a partir da próxima quarta-feira. Todos os depósitos em dólares serão convertidos em pesos a $1,40 peso por cada dólar depositado, inclusive as aplicações em prazo fixo. A atualização do capital será feita segundo a variação do índice de ajuste denominado Coeficiente de Estabilização de Referência (CER), calculado pelo índice de preços ao consumidor.Depósitos podem ser trocados por titulos públicosO governo argentino concederá ao depositante que não deseja pesificar suas economias a alternativa de trocar seus depósitos por um título público em dólares com garantia do Tesouro. Ainda sem prazo determinado para este título, o mecanismo é o mesmo utilizado em 1989 pelo plano Bonex, período da hiperinflação que antecedeu à adoção da conversibilidade.A opção valerá somente para os depósitos abaixo de US$ 30 mil dólares, porém, a associação de bancos locais propôs à equipe econômica devolver em dólares os depósitos de até US$ 10 mil. As contas utilizadas somente para depositar salários, aposentadorias e indenizações ficam livres do "corralito" que impõe uma cota de saque mensal de $1.500 pesos. As pessoas maiores de 75 anos e aquelas com doenças graves já poderão dispor de seus depósitos em sua totalidade.Leia o especial

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