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Argentina tem novos mecanismos para o câmbio

O Banco Central da Argentina apresentou um novo instrumento para tentar regular o mercado de dólar para operações superiores a US$ 1 milhão. Trata-se da denominada Cotação de Câmbio de Referência, com uma paridade bastante inferior às cotações livres para o público comum. Por exemplo, enquanto o dólar foi negociado entre 2,10 e 2,20 pesos para a venda, após a intervenção do BC para fechar em 2,15, a cotação para as grandes operações foi de 2,0083 pesos. Somente à noite, um gerente de um banco pode explicar que esta cotação foi um pedido dos próprios bancos para utilizá-lo no mercado de futuros, os quais regulam os preços de grãos e outros. O jornal Clarín foi o único a referir-se hoje ao novo instrumento explicando com detalhes como é calculado. A medida não foi anunciada, nem explicada pelo BC. O novo dólar de referência se mede da seguinte forma: todos os dias, o BC consulta pelo menos cinco bancos sobre a cotação do dólar para compra e venda. A consulta é feita através do sistema Siopel do Mercado Aberto Eletrônico, que conecta o BC online com as mesas de câmbio das entidades. O levantamento da cotação é feito das 10 horas às 11 horas; das 12h às 13h; e das 14h às 15h. A cotação pesquisada diz respeito somente às operações de mais de US$ 1 milhão. Com estas informações, o BC calcula uma cotação média entre o valor de compra e de venda, chamada de equilíbrio, de cada período medido. Ao final do dia fará uma média entre as três e este será o resultado de referência para o dia.?Melhora em três meses?O presidente do Banco Central, Mario Blejer, acredita que em três meses a sorte do país poderá mudar se o BC puder absorver mais liquidez; se os governadores entenderem de uma vez por todas que não poderá haver gasto excessivo e aumento do déficit fiscal; e se o Fundo Monetário Internacional decidir ajudar a Argentina.Em uma entrevista ao jornal La Nación, Mario Blejer dá a entender que o problema do banco Galícia será solucionado favoravelmente aos clientes e à instituição e que o Banco Central está no controle da situação dos bancos públicos. Ele considera que a conversibilidade morreu com o "corralito" e não com a desvalorização porque o congelamento dos depósitos, idéia que o levou contra o ex-ministro Domingo Cavallo, foi um golpe de misericórdia na confiança pública. Enquanto a Argentina perdeu 25% de seus depósitos em apenas dois anos, a grande depressão dos anos 20 nos Estados Unidos provocou uma perda de depósitos de apenas 18% em três anos. DólarO presidente do Banco Central afirma que o preço do dólar é ainda muito alto e que o Estado deve seguir atuando com o objetivo de colocá-lo num patamar entre 1,70/1,80 peso. Porém, diz não acreditar nos controles econômicos, porque "não funcionam". Segundo ele, a criatividade das pessoas é sempre maior que a dos controladores e, portanto, se encontra a forma de violar as limitações impostas. Ex-funcionário do Fundo Monetário Internacional por 21 anos, Blejer reconhece que os pontos de vista dos Estados Unidos e Europa não coincidem sempre sobre como resolver a grande crise argentina. Ele observa que o FMI é uma organização internacional dirigida pelo G7 e há, em princípio, três polos: os EUA, a Europa e o Japão, mas não de uma maneira ortodoxa. "Os canadenses, às vezes, estão mas próximos dos alemães e dos franceses que dos norte-americanos; e os britânicos também, às vezes, mais próximos dos EUA que da Europa".Mario Blejer é amigo pessoal do novo representante do FMI para a Argentina, Anoop Singh, a quem considera de "homem extremamente comedido, bom funcionário, criativo, especializado em crise, como que o levou, entre outras, à Indonésia". Ele afirma ainda que "Singh tem, sobretudo, sentido comum e conta com uma linha de comunicação direta com a gerência do Fundo. Isso é uma vantagem porque não terá de pedir licença para cada passo que dê. Porém, essa vantagem é baseada na confiança que ele desfruta, de modo que é natural que a cuide", considerou Blejer. O presidente do BC concluiu sua entrevista dizendo que "algo que irrita o FMI é que se proponha discussões irrelevantes e que sejam divulgadas as cifras em negociação porque sua antecipação gera o risco de que ao final não satisfaçam ninguém", numa resposta à pergunta se a Argentina realmente espera US$ 25 bilhões de dólares. Sobre números, somente remarcou que pesaria bastante a liberação dos US$ 9 bilhões pendentes no FMI.Leia o especial

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