Argentina tem problemas para atender ao FMI

A Argentina sofre de uma epidemia de problemas. O xeque-mate dado pelo governo dos Estados Unidos e do Fundo Monetário Internacional para que Eduardo Duhalde realize reformas e ajustes de fato, além do papel e de intenções, foi dado num momento em que a população sente que nada no país funciona bem e só há problemas. Enquanto George W. Bush fala que não dará dinheiro a corruptos, uma deputada do Partido Justicialista, o mesmo do presidente Duhalde, está a um passo de ser cassada.Norma Godoy é acusada de ter desviado $1 milhão de pesos do Tesouro Nacional que estavam destinados a quatro fundações dedicadas a portadores de deficiência, presididas por ela. Porém, três destas entidades são fantasmas. Na província de San Luis, o senador Rául Ochoa, também do PJ, deixou a Justiça Federal esperando por ele. O senador é acusado de ter votado duas vezes nas eleições legislativas no último ano mas não compareceu diante do juiz para prestar depoimento. Estes são apenas dois exemplos dos milhares que ocorrem todos os dias no país.DólarNum cenário ruim, tudo pode ficar ainda pior. E foi assim com o dólar que bateu o recorde e alcançou a cifra de 2,60 para fechar em 2,58 pesos para a venda e 2,47 para a compra. As dúvidas sobre o futuro da economia que já existiam foram duplicadas após as declarações dos EUA e do FMI e impediram qualquer êxito do Banco Central para conter a disparada. O BC vendeu US$ 90 milhões de dólares e não conseguiu obrigar os bancos a fazerem o mesmo, para reduzir as cotações da moeda.Por outro lado, o sistema financeiro perde entre US$ 50 a 60 milhões diários como consequência das causas judiciais apresentadas contra o "corralito", como afirmou uma fonte do Ministério de Economia. A fonte disse que foram apresentados 160 mil recursos legais que representam US$ 5 milhões no total ou uma média de US$ 30 mil por cada caso.FeriadosA situação é tão complicada que até data de feriado virou motivo de briga e de polêmica. O feriado de 2 de abril, data em que o povo argentino rende homenagens aos mortos na Guerra das Malvinas, cairia na terça-feira, mas pela lei, os feriados de terça e quarta são movidos para a segunda-feira anterior. A população dava como certa que a regra seguiria assim. Porém, o governo editou um decreto mudando a data para a terça-feira, o que provocou uma reação imediata das agências de turismo e afins que já tinham feito seus pacotes para o feriado longo. Enfim, a briga terminou obrigando o governo a deixar tudo com estava: feriado na segunda-feira.Leia o especial

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