Argentina tem semana difícil para chegar a acordo com FMI

A Argentina terá, a partir desta segunda-feira, uma semana difícil para chegar a um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e, com isso, evitar uma moratória com esse organismo multilateral de financiamento já no dia 9 de março, quando vence uma parcela de US$ 3,1 bilhões. A missão do Fundo que se encontra em Buenos Aires deve permanecer na capital argentina até sexta-feira ou a próxima segunda-feira para acertar os detalhes finais da segunda revisão do acordo de três anos assinado em setembro do ano passado.Fontes do governo do presidente Néstor Kirchner informaram à imprensa argentina que estão confiantes em que o FMI aprove a segunda revisão para que a Argentina receba um desembolso de US$ 1,5 bilhão. Em entrevista hoje à uma rádio argentina, o ministro do Interior, Aníbal Fernández, afirmou que, se o FMI puxar demais a corda, a situação (econômica) do país ficará pior, mas assegurou que a Argentina cumprirá, à risca, o resultados das negociações para reestruturar a dívida pública que se encontra em default o montante do capital é de US$ 82 bilhões, mas o cálculo mais aproximado é de US$ 100 bilhões, que inclui juros vencidos não pagos."Se o governo ofereceu pagar apenas 25% do total é porque é só isso que pode pagar", disse o ministro, reiterando a oferta feita aos detentores de títulos da dívida argentina. Fernández afirmou ainda que não se trata de uma negociação comum, porque, neste caso, uma das partes se encontra em situação de falência. "Os credores precisam entender que estão negociando com alguém e que se puxam mais a corda a situação pode piorar", alertou o ministro na entrevista à rádio argentina.Apesar das advertências e em tom mais conciliador, o ministro indicou que administração Kirchner cumprirá à risca qualquer compromisso que surja das negociações para reestruturar a dívida pública com os credores privados, aos quais pediu para não "colocarem pedras no caminho" no crescimento econômico do país, que, no ano passado, foi de 8,4%, o mais alto desde 1994. Para este ano, o governo espera uma expansão do PIB de pelo menos 5%.Fernández confirmou também que em no máximo 60 dias a Argentina apresentará todos os detalhes da oferta final e melhorada aos detentores privados de títulos de dívida pública que se encontram em dafault. A Argentina aceitou considerar os pedidos da Itália e Japão, que querem uma oferta melhor para aos investidores, principalmente os maiores de 75 anos e os que têm alguma tipo de doença e foram afetados com a moratória declarada em dezembro de 2001. Regras internacionais, porém, não permitem nenhum tipo de discriminação entre credores.Nesta quarta-feira, o ministro de Economia, Roberto Lavagna, vai se reunir com os diretores da missão do Fundo que estão em Buenos Aires, John Thornton e John Dosdword. O ministro vai dizer que, no ano passado, a Argentina conseguiu um superávit primário de 3,06% do PIB, acima dos 2,5% previsto no acordo de setembro. Dirá ainda que as previsões de crescimento para este ano serão revisadas, mas que isso não afetará a estimativa para do superávit deste ano. Lavagna quer que esse recado seja levado ao diretor gerente do Fundo, Horst KöhlerÉ bom lembrar também que a grande maioria dos argentinos (75,7%) vem apoiando as decisões do governo no tratamento que está dando à dívida externa. A pesquisa divulgada nesta segunda-feira que mostra esse significativo apoio ao governo Kirchner indica também que 76% dos argentinos acreditam que o governo não deve ceder diante das pressões dos credores privados.

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