Argentina tenta acordo transitório com o FMI

O ministro da Economia da Argentina, Roberto Lavagna, tentará nesta segunda-feira mais um esforço para convencer representantes da diretoria do FMI de que concordem em fechar um acordo. Lavagna, que está em Washington, mostrará uma série de índices econômicos com os quais espera convencer parte da cúpula do Fundo e evitar um retorno sem dinheiro. Lavagana argumentará que parte do "dever de casa" que tinha para fazer já está feita, já que o PIB no segundo trimestre aumentou 0,9% em relação ao primeiro trimestre. Além disso, no mesmo período, o PIB industrial cresceu 5%. O ministro também argumentará que o gasto público teve uma redução de 30%.Desde este fim de semana, a esperança renasceu no governo do presidente Eduardo Duhalde já que o chefe do Departamento Ocidental do FMI, o economista indiano Anoop Singh, afirmou que "haverá acordo entre a Argentina e o Fundo". Singh sustentou que o acordo que seria negociado teria a categoria de "transitório", já que duraria entre seis e doze meses. A intenção é estabelecer um plano que proporcione tranqüilidade financeira até que o novo e definitivo acordo seja definido. Nesse intervalo, a Argentina já teria realizado as eleições presidenciais (marcadas para março do ano que vem), e o FMI teria um interlocutor definido com quem conversar.Em Buenos Aires, o chefe do gabinete de ministros, Alfredo Atanasof, disse que "o acordo com o FMI está próximo". Atansof afirmou que a Argentina "já fez tudo o que tinha para fazer. O governo cumpriu passo a passo os requisitos do Fundo. Agora não há mais desculpas". Caso o acordo não saia, a Argentina decretaria um calote com os organismos financeiros internacionais, o que implicaria em novas turbulências nos mercados, e uma disparada do dólar.O economista-chefe para mercados emergentes da Goldman Sachs, Alberto Ades, sustentou que para que o governo argentino consiga um acordo, "deverá fazer algo mais do que queixar-se". Ades afirmou que o governo Duhalde, depois de dez meses não conseguiu articular um programa econômico "que mereça ser chamado dessa forma".O economista considera que a Argentina desperta pouco interesse nos investidores, basicamente por causa do calote da dívida, e que - para este ano - não está nos planos dos investidores internacionais.A Igreja emitiu um comunicado neste fim de semana criticando a política econômica do governo, afirmando que a Argentina está "de joelhos" e que transformou-se "no alvo de saques", em alusão às pressões internacionais que sofre e os ataques dos especuladores.Os bispos afirmaram que a ajuda financeira e as eleições presidenciais não serão suficientes para "construir uma nação". Segundo eles, se não forem realizadas as reformas exigidas pela sociedade, a situação do país poderá ser pior ainda no futuro.O comunicado foi o resultado de uma reunião extraordinária da cúpula eclesiástica, a primeira extraordinária nos 45 anos de existência da Conferência Episcopal.

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