Argentina tenta conseguir perdão do FMI

O chefe da missão do Fundo Monetário Internacional (FMI) à Argentina, John Dodsworth, se somará hoje aos técnicos encabeçados por John Thornton, os quais deram início às negociações com o governo, ontem. Hoje o ministro de Economia e Produção, Roberto Lavagna, se reunirá com a expert em assuntos legais do FMI, Rhoda Brown, para continuar com seu trabalho de convencimento com vistas a obter um perdão (waiver), que permita a aprovação da segunda revisão do acordo e abra caminho para conseguir um novo convênio a partir do vencimento do atual, em 31 de agosto próximo. O FMI travou a aprovação da revisão devido à lei que suspende as execuções hipotecárias, aprovada pelo Congresso, sancionada pelo Executivo e publicada no Diário Oficial desta terça-feira. A equipe econômica insiste em justificar que as hipotecas afetadas correspondem à somente 1% do total do sistema, em torno de 16 mil casos. A decisão do governo é de que uma vez vencido o prazo da prorrogação, se buscará uma solução caso por caso.A expectativa de Lavagna e seu secretário de Finanças, que coordena as negociações com o FMI, é de resolver logo a aprovação da revisão para poder iniciar as discussões preliminares do novo acordo. O objetivo inicial do ministro era fechar um acordo de médio prazo, um programa de três anos que pudesse cobrir, praticamente, todo o mandato do presidente Néstor Kirchner, mas dentro e fora do governo há uma suspeita de que essa idéia já foi arquivada pelo FMI e pelo próprio ministro. Nenhum dos lados quer correr riscos com um acordo tão amplo. Há quem diga que o FMI pretende conceder somente outro mini-acordo, similar ao assinado em janeiro passado e que termina em 31 de agosto. Fontes do ministério afirmam que o FMI deverá somente prorrogar a vigência do atual acordo para mais seis meses, para dar tempo de passar o período eleitoral nas províncias que começa dentro de dois meses. Lavagna também está em trabalho de convencimento junto ao presidente Kirchner sobre a "conveniência do novo programa que dependerá dos prazos que o FMI colocar para a realização das reformas", disse a fonte.Existe ainda um argumento que está dando dor de cabeça à equipe econômica porque contraria o objetivo de se ter um acordo de curto prazo. É que a dupla Lavagna/Nielsen se comprometeu, no ano passado, com os credores da dívida externa e com os centros financeiros internacionais, que até o final deste 2004 a renegociação concreta da dívida seria iniciada. Porém, sem um acordo consistente com o FMI, torna-se mais difícil enfrentar as negociações com os credores porque o governo argentino não contará com o aval do organismo.

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