Argentina terá 60 dias para evitar sanções do Bird

Previsão do Banco Mundial (Bird) diz que, se a Argentina não honrar a dívida de US$ 850 milhões que vence nesta quinta-feira, o país terá um prazo 60 dias para fazer esse pagamento antes de receber sanções como a supressão do crédito e outros tipos de ajuda. Segundo a edição de hoje do jornal argentino El Clarín, a partir de sexta-feira o Bird passará a cobrar uma taxa de juros maior do país, que custará US$ 70 milhões a mais por ano.Se a Argentina não cumprir com o pagamento dentro do prazo de 60 dias, o Banco Mundial suspenderá todos os empréstimos e garantias que tem pendentes com o país, que somam US$ 1,9 bilhão. De acordo com o Bird, passados 180 dias sem pagamento, a Argentina passará oficialmente a constar da lista de países em moratória.No entanto, segundo o Clarín, o governo argentino estaria disposto a sacar das reservas internacionais do Banco Central US$ 280 milhões para pagar parte dos vencimentos. Mas o jornal afirma que não está claro se isso será suficiente para evitar a moratória e se ajudará o país a alcançar um acordo com o FMI.Plano de gastosA imprensa argentina também informou nesta segunda-feira que, para fechar o acordo de ajuda financeira, o FMI quer a revisão do plano de gastos do país para 2003, para que se possa registrar um superávit fiscal equivalente a 1,5% do PIB. Além disso, o Fundo quer que a Argentina resolva o problema da fuga de recursos dos bancos por meio de liminares e fixe um cronograma para aumento das tarifas de serviços públicos, entre outras demandas.O FMI também vem pressionando o governo a não permitir qualquer novo adiamento nas execuções de empréstimos bancários. Logo depois que assumiu o poder em janeiro, o presidente argentino Eduardo Duhalde proibiu bancos de executarem empréstimos vencidos, um movimento que teve como objetivo proteger os devedores em meio à depressão econômica, o que fez a economia encolher 15,5% no primeiro semestre deste ano.Essa proibição vence amanhã e o governo quer um apoio do Congresso antes de devolver aos bancos o direito de executar milhares de devedores. "Não é a intenção do governo usar um decreto para liberar as execuções", disse o chefe de gabinete, Alfredo Atanasof, durante sua entrevista diária na sede do governo.O comentário de Atanasof ocorreu depois que a mídia local noticiou que o Congresso estaria pronto para aprovar uma lei que proíbe todas as execuções de empréstimos por seis meses. De acordo com o jornal El Cronista, o Congresso argentino estaria pronto para aprovar a lei na quarta-feira, deixando o governo com duas opções - sancionar a lei ou vetá-la e assumir o peso político de tal decisão.

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