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Argentina terá de pagar o justo, diz Repsol

Presidente da empresa espanhola declarou que indenização será definida pela Justiça e não pelo vice-ministro da Economia argentino

KARLA MENDES , ESPECIAL PARA O ESTADO / MADRI, O Estado de S.Paulo

19 de abril de 2012 | 03h09

Desdenhando a ofensiva do governo argentino de que não pagará os US$ 10,5 bilhões pedidos pela Repsol pela expropriação da petroleira YPF, o presidente da empresa espanhola, Antonio Brufau, disse que a Justiça é que fixará o valor da indenização, e não o vice-ministro da Economia da Argentina, Axel Kicillof, que "nada entende de valor de empresas".

"Evidentemente, o governo argentino deverá pagar o que deve. Os tribunais são muito obstinados frente a essa barbaridade", afirmou o executivo.

Ontem, as ações da YPF despencaram 26% na Bolsa de Valores de Nova York, fechando o dia a US$ 14, o menor valor desde junho de 2002. A cotação representa US$ 6 a menos que o valor de referência de segunda-feira, quando as negociações foram suspensas depois do anúncio da nacionalização da companhia pela presidente argentina, Cristina Kirchner. Antes do anúncio, as ações da YPF valiam US$ 23.

Diante da resistência em dialogar com a Repsol, Brufau disse que já "era esperada" a reação do governo argentino. O executivo criticou mais uma vez a decisão da presidente de nacionalizar a YPF, dizendo que "os governos vêm e vão, mas as consequências ficam para todos".

Brufau fez questão de dizer, no entanto, que apesar de a filial argentina ser bastante importante para o grupo espanhol, a companhia "seguirá seu caminho" e que a Repsol é bem maior que a YPF. "Repsol é muito mais que um negócio na Argentina", ressaltou. O executivo deu essas declarações ontem, durante a inauguração da ampliação da refinaria da companhia em Cartagena, na região espanhola de Murcia, no valor de 3 bilhões, o maior investimento já feito na Espanha pela companhia.

Será realizada em 31 de maio uma assembleia de acionistas para votar a mudança da razão social da companhia de Repsol YPF para apenas Repsol. A empresa também terá de refazer seu plano de investimentos 2010-2014, no valor de 28 bilhões. A reorganização do plano estratégico da companhia concentrará os investimentos no Brasil e no Golfo do México. Sem YPF, a produção da Repsol cai à metade, tirando a petroleira do grupo dos maiores produtores de petróleo do mundo.

Ainda não foi anunciado qual tribunal que a petroleira acionará contra o governo argentino. Brufau afirmou que a companhia recorrerá a todas as instâncias argentinas e internacionais que considere, como o tribunal de arbitragem do Banco Mundial ou a Comissão das Nações Unidas para o Direito Mercantil Internacional.

O governo espanhol, que conta com o apoio da União Europeia e países-chave da América Latina, como México, Chile e Colômbia, estuda represálias para responder à ofensiva de expropriação argentina. Ontem, a Comissão Europeia anunciou o cancelamento de reuniões previstas com empresários argentinos para incentivar investimentos mútuos, por considerar que não há clima. A delegação manterá, no entanto, as reuniões previstas com empresários do Brasil, Uruguai e Chile.

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