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Argentina vai adotar sistema nipo-brasileiro de TV digital

Acordo entre países será assinado hoje pelos presidentes Cristina Kirchner e Lula

Marina Guimarães e Ariel Palácios, SAN CARLOS DE BARILOCHE, O Estadao de S.Paulo

28 de agosto de 2009 | 00h00

Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Cristina Kirchner vão assinar nesta sexta-feira, em Bariloche, o acordo pelo qual a Argentina vai adotar o sistema nipo-brasileiro de TV digital, segundo confirmou fonte do governo local. O encontro entre Lula e Cristina será realizado logo depois da reunião extraordinária de cúpula dos 12 presidentes dos países da América do Sul, a Unasul, para discutir a expansão das bases militares americanas na Colômbia. O acordo será assinado também pelo ministro das Comunicações do Brasil, Hélio Costa, e pelo ministro de Planejamento da Argentina, Julio De Vido.A primeira transmissão de jogos de futebol pela TV aberta na Argentina, após a ruptura do contrato entre o canal de TV a cabo T&C e a Associação de Futebol da Argentina (AFA), foi na última sexta-feira, entre os times Godoy Cruz e Gimnasia. A presidente, segundo informações da imprensa local, assistiu ao jogo em um celular que recebe sinais de TV digital com a norma nipo-brasileira. O ministro Hélio Costa vem negociando a adoção desse padrão pela Argentina desde o ano passado. A escolha por essa norma demorou três anos, nos quais os europeus, os americanos e os japoneses travaram uma árdua luta para seduzir a Argentina. Os europeus, com seu sistema Digital Vídeo Broadcasting Terrestrial (DVB-T), contavam com poderosos defensores: Telefónica e Siemens. O sistema americano Advanced Television Systems Committee (ATSC) era defendido por empresas como LG, Samsung e Artear (do Grupo Clarín, com quem o governo Kirchner mantém um conflito aberto desde março). A norma japonesa, no início, era a que tinha menos possibilidades, até que o Brasil optou por esse sistema. Na secretaria de Comunicações da Argentina, fontes argumentam que o sistema nipo-brasileiro oferece maiores possibilidades para a indústria argentina fabricar algumas partes das peças necessárias. "O Brasil já fabrica aparelhos de TV para essa norma e nós também poderemos fabricar, o que vai dar um forte impulso à nossa indústria", afirmou o presidente da câmara de eletroeletrônicos, Alejandro Mayoral.A decisão de optar pela norma japonesa acaba com a preferência que existiu na Argentina pelo padrão americano, desde 1998, quando governava o presidente Carlos Menem, inimigo político dos Kirchners e um fervoroso defensor do alinhamento automático com os Estados Unidos. Na ocasião, uma resolução determinou que o país deveria estimular as condições para a instalação do padrão dos EUA. Com essa resolução, no final dos anos 90, a Argentina tornava-se o primeiro país latino-americano a tomar posição sobre o assunto. Algumas emissoras de TV realizaram fortes investimentos com vistas à adoção desse sistema.Desde o fim do governo Menem, em 1999, o assunto ficou na geladeira e só em 2006 voltou à tona, quando o Brasil começou a tentar convencer a Argentina a adotar o sistema. Na ocasião, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, esteve em Buenos Aires para convencer o governo a estabelecer um padrão único no Mercosul. Com a campanha do ministro Hélio Costa de convencer os países da região e os crescentes conflitos do governo com o Grupo Clarín (defensor do padrão americano) e a Telefónica (a favor do sistema europeu), o sistema nipo-brasileiro acabou desbancando os concorrentes.

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