Argentina vai manter restrições no mercado de câmbio em 2013

Presidente do banco central do país diz que controle 'chegou para ficar' e rechaça hipótese de flexibilização

MARINA GUIMARÃES, CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

25 de dezembro de 2012 | 02h03

O governo de Cristina Kirchner não pretende afrouxar as fortes restrições impostas ao mercado de câmbio na Argentina, iniciadas em outubro de 2011 e ampliadas em 2012. "O controle chegou para ficar e não haverá flexibilizações", disse a presidente do Banco Central da Argentina, Mercedes Marcó Del Pont, em entrevista aos jornais Pagina 12 e Tiempo Argentino.

Os controles proibiram a remessa de lucros de empresas ao exterior e a compra de divisas para guardar como poupança. O governo só permite a compra de divisas em caso de viagens e por pequenos montantes. As proibições dispararam as taxas de operações de câmbio no mercado negro e desdobraram as cotações do dólar. Antes do bloqueio, a lei argentina permitia a compra de até US$ 1 bilhão/mês.

Mercedes afirmou que a Argentina "não tem déficit de dólares", ao contrário, tem "um superávit de mais de U$ 12 bilhões". Segundo ela, "o país possui todos os dólares que a economia necessita para continuar crescendo, para pagar suas dívidas e transferir lucros".

Os controles foram adotados para inverter a cultura argentina de poupar em dólares, fora do sistema financeiro. Segundo a titular do BC, esse dinheiro guardado deveria ser utilizado para financiar investimentos produtivos. "Ter limitado a compra de dólares para guardar foi uma decisão estratégica para garantir que não volte a aparecer o estrangulamento externo", explicou.

Para a presidente do BC, a economia argentina vai crescer 4,6% em 2013, depois de sofrer com o impacto da estiagem que quebrou a safra e uma desaceleração da economia brasileira, seu principal sócio comercial, que implicou menores volumes de compras de origem argentina. "Esperamos um bom 2013, com crescimento de 4,6% da atividade econômica e um investimento que finalizará o ano em 24% do PIB", disse.

Inflação. A titular da autoridade monetária evitou dar um porcentual da inflação, estimado pelos institutos privados em torno de 25% anuais - mas em 10% pela agência oficial de estatísticas, o Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec).

Mercedes vinculou a inflação "a problemas de oferta" e disse que, em 2013, a alta se manterá nos mesmos níveis de 2012. "Estamos vendo uma trajetória não muito diferente à deste ano, sobretudo pensando que há fatores relacionados à evolução dos preços internacionais, a qual não se observa que haja uma tendência de queda", indicou.

Ela também argumentou que a alta dos preços na Argentina "está associada ao fato de não haver uma política de ajuste progressivo no câmbio, que faz com que o impacto do preço dos alimentos em escala global seja maior que nos países que valorizaram sua moeda". Mercedes rejeitou, ainda, explicações ortodoxas sobre a inflação, que tem sido alvo de protestos de sindicatos.

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