Argentina vai pressionar petrolíferas contra aumento de combustível

O governo argentino vai pressionaras companhias petrolíferas para evitar um aumento dos preços internos de combustível diante da alta internacional do preço de petróleo cru causada pela tensão em torno da possível guerra contra o Iraque.Na mira estão a Repsol-YPF e a Petrobrás, que produzem, destilam e comercializam no país. Para o Ministério da Economia, essas empresas não têm motivos para acompanhar a escaladamundial de preços já que a maioria de seus custos é em pesos. A Shell e a Esso, petrolíferas importantes do mercado de comercialização, não têm produção própria.A idéia do governo é aumentar a retenção das exportações, que atualmente é de 20%, para aplicar um teto aos preços internacionais, exatamente o oposto da proposta que ascompanhias apresentaram ao Ministério.A administração do presidente Eduardo Duhalde está preocupada com o impacto inflacionário que um aumento dos combustíveis poderia provocar. Desde a desvalorização, a nafta aumentou 80% ea gasolina 140%.Atualmente está em vigência um acordo que mantém os preços congelados enquanto o petróleo no mercado internacional não superar a cotação de US$ 36 o barril durante dez dias. Até asexta-feira este teto já havia sido ultrapassado por cinco dias. O acordo inclui ainda a condição que o dólar não ultrapasse 3,65 pesos. Atualmente a cotação está muito abaixo e, na sexta-feira,fechou a 3,22 pesos.O ministro da Economia, Roberto Lavagna, defende a idéia de aplicar retenções móveis, que permitiriam que o Estado sobretaxasse o excedente de US$ 35 o barril para manter esse valor como preço interno.A oferta das petroleiras foi exatamente oposta: reduzir as retenções. "Os ganhos extras obtidos com a exportação poderiam ser usados para subsidiar o mercado interno. Assim, nãodesestimularia os investimentos", disse o porta-voz de uma importante empresa do setor. A mesma fonte acrescentou que "não nos interessa um negócio se o Estado vai ficar com todos oslucros".

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