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Argentina vai suspender por 5 dias a venda de trigo

O governo do presidente Néstor Kirchner anunciou que fechará durante cinco dias úteis as exportações de trigo para todos os países aos quais atualmente vende o produto, entre eles o Brasil.A Secretaria de Agricultura informou que a medida foi tomada para avaliar possíveis perdas na produtividade do cultivo do trigo por causa das recentes geadas que afetaram o país. Segundo informações do mercado, a medida tem o objetivo de evitar uma alta do preço do trigo no mercado interno, e assim impedir uma nova escalada dos preços da farinha e do pão, além de seu eventual desabastecimento. Dessa forma, Kirchner tenta proteger sua mulher, a presidente eleita Cristina Kirchner, da irritação dos consumidores, especialmente dos setores mais pobres da sociedade. O plano do governo é que Cristina - que toma posse no dia 10 de dezembro - possa contar com vários meses de "lua-de-mel" com a população. Mas no meio do caminho do plano está a inflação, que, segundo o índice elaborado pelo governo, seria de 6,6% acumulados desde o início do ano. No entanto, empresários e economistas independentes afirmam que o índice está altamente manipulado. Segundo eles, a inflação real acumulada desde janeiro seria entre 10% e 20%. Kirchner já tomou atitudes similares no passado recente para controlar os preços de produtos agropecuários. Em 2006, ordenou o fechamento das exportações de carne bovina para impedir a alta do preço do produto no mercado interno. A colheita de trigo foi afetada por questões climáticas, como as fortes geadas que provocaram substanciais perdas. Por esse motivo, o consumo interno ficaria prejudicado, caso as exportações continuassem livres. As autoridades previam uma colheita de 15,2 milhões de toneladas. Mas as geadas teriam provocado perda de 1 milhão de toneladas. Do total produzido, o consumo interno absorve 7 milhões de toneladas. Só na última semana a Argentina exportou ao Brasil 50 mil toneladas. Desde o início do ano a Argentina vendeu ao mercado brasileiro 5,04 milhões de toneladas de trigo e de farinha de trigo. PRESSÕESOs empresários do setor agropecuário reclamam das limitações às exportações e das pesadas retenções que devem pagar ao Estado por suas vendas ao exterior. As principais retenções são aplicadas às exportações de soja, milho e óleos vegetais. Segundo os analistas, os Kirchners conseguem manter o superávit fiscal graças a esses tributos, que também são aplicados às empresas exportadoras de combustíveis.

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