Argentina vai taxar exportação de petróleo

O governo argentino voltou atrás na decisão de não taxar as exportações de petróleo e derivados e anunciou uma tributação de 20%, conforme prevê a lei de Emergência Econômica. As exportações deste setor giram em torno de US$ 2 bilhões de dólares anuais, o que geraria ao governo recursos da ordem de US$ 400 milhões de dólares. O anúncio foi feito ontem à noite pelo chefe de Gabinete da Presidência, Jorge Capitanich, que estava negociando com as pretroleiras uma alternativa que pudesse gerar estes recursos, os quais o governo pretende usar para cobrir a diferença provocada pela pesificação das dívidas hipotecárias em dólares.Capitanich negociava a implementação de um imposto ou um adiantamento deste montante. Porém, o anúncio encerrou a temporada de negociações e abriu a de retenções por cada exportação feita do produto, o que já começa a criar expectativas de aumentos internos do petróleo e seus derivados.Lei de FalênciasJorge Capitanich também anunciou que o presidente Eduardo Duhalde vetará parcialmente a lei de falências que tem sofrido resistências por parte do Fundo Monetário Internacional. A decisão foi tomada depois que o ministro de Economia, Jorge Remes Lenicov, telefonou para o presidente informando-o sobre a exigência do FMI de vetar vários artigos do parágrafo 8 que suspende as garantias de obrigações financeiras até 2003. Dentre eles, o FMI cita o artigo 11 que suspende por 180 dias os pedidos de falência; o artigo 15, que estabelece uma previsão de 100% da dívida se não houver um acordo de reestruturação em 90 dias; e o artigo 21 que revoga a possibilidade de que o credor assuma o controle da empresa. No entanto, o chefe de Gabinete disse que o presidente vetará alguns artigos que não são exatamente estes citados pelo FMI. Segundo o ministro Lenicov, sem o veto à esta lei ?não tem acordo?, conforme contam os jornais argentinos.DólarO comportamento da cotação do dólar desde que o câmbio flutuante estreiou, na última segunda-feira, tem sido mais que tranqüilo. Ontem, a moeda fechou em $1,95 peso para a venda e $1,75 para a compra. A explicação dos especialistas tem sido a mesma: muita oferta, já que a população que havia guardado dólares debaixo do colchão teve de vender suas economias para seus gastos diários e pagamentos de dívidas. Além de que os grandes compradores, como empresas e bancos, ainda não entraram no mercado. O Banco Central não realizou nenhuma operação de intervenção durante a semana.Leia o especial

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