Argentina vê com cautela proposta dos EUA sobre Alca

A Argentina recebeu com cautela a oferta de abertura comercial apresentada ontem pelos Estados Unidos no âmbito da Alca. O governo argentino, em consonância com o brasileiro, considerou que deve esperar os detalhes sobre o alcance da oferta em matéria agrícola, disse uma fonte da chancelaria argentina à Agência Estado. O embaixador da Argentina nos Estados Unidos, Eduardo Amadeo, afirmou que "o governo dá as boas-vindas a qualquer melhoria das oportunidades de comércio, porque isso implica em mais postos de trabalho e menos pobreza para o país". No entanto, ele acredita que a primeira leitura da oferta feita pelo representante de comércio norte-americano, Robert Zoellick, "é preocupante, porque não deixa claro o impacto sobre os produtos agrícolas sensíveis", que são os que mais interessam à economia do Mercosul devido à sua estrutura de produção."Queremos saber qual o tempo e os bens que estão incluídos na oferta de eliminação de alíquotas para 56% do universo de produtos agrícolas", disse Eduardo Amadeo, em entrevista ao jornal Infobae. Segundo a fonte da chancelaria argentina, Eduardo Amadeo passou todo o dia de ontem em contato com os embaixadores dos países sócios do Mercosul, os quais estão de acordo sobre a necessidade de se esperar um maior detalhamento da oferta de Zoellick. Amadeo também demonstrou preocupação sobre a falta de menções sobre as barreiras não tarifárias, como quotas e medidas anti-dumping contra os produtos do Mercosul. A fonte da chancelaria afirmou que o governo argentino está decidido a discutir tudo. De outra forma, disse a fonte, "não haverá Alca". "Temos de cuidar de nossos interesses, dentro dos quais o carro-chefe é composto pelos produtos agrícolas".

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